jun 04

Guerra na ocupação do subsolo urbano

Ponto ISP

O MUNDO DOS PROVEDORES DE ACESSO À INTERNET


FALTA DE PLANEJAMENTO INTEGRADO ENTRE OS ATORES ENVOLVIDOS NAS OBRAS O PROBLEMA DA INFRAESTRUTURA APRESENTA UMA GRANDE COMPLEXIDADE DE DIFÍCIL SOLUÇÃO

COLUNISTA

MARCIUS VITALE — 7 DE MAIO DE 2020


*Por Marcius Vitale

Uma Guerra está ocorrendo no subsolo urbano de muitas cidades brasileiras. Trata-se de uma disputa pela ocupação dos escassos espaços para instalação da infraestrutura de: telecomunicações, energia, gás, água, esgoto e outros setores, que deveriam demandar um conhecimento do que existe no subsolo.

Observamos com frequência cones e grades de sinalização, isolando trechos de movimentadas avenidas para a proteção de trabalhadores, veículos e população, impactando a mobilidade ao redor das obras.PUBLICIDADE   

Um número incalculável de reclamações dos moradores e transeuntes é formalizado no dia a dia e para minimizar e eliminar o citado problema de maneira contundente, alguns procedimentos técnicos devem ser adotados.

Pela inexistência de um planejamento integrado entre os atores envolvidos nas obras, durante décadas, o problema da infraestrutura apresenta uma grande complexidade de difícil solução. Os diversos ocupantes do subsolo constroem e ampliam suas redes, muitas vezes deixando os cadastros dos ativos implantados incompletos e desatualizados.

Sem diretrizes claras dos elementos que devem compor o contexto da infraestrutura subterrânea urbana, a serem inseridos nos planos diretores municipais, somados com políticas públicas bem elaboradas e uma gestão eficiente do espaço público, os projetos de ordenamento sempre deixarão a desejar.

Sem esta avaliação a ser realizada por empresas especializadas em mapeamento do subsolo, corremos o risco de provocar acidentes, como por exemplo: o rompimento de tubulações de gás, água e redes ópticas, interrompendo operações de grandes corporações, causando enormes transtornos à população e acidentes fatais com perda de vidas humanas.

Frequentemente os executores das obras não possuem conhecimento do subsolo, fato este, que impõe a necessidade de mapeamento do que está enterrado, utilizando um equipamento denominado georadar, para assegurar que o enterramento de novos dutos seja realizado com sucesso.

As empresas contratantes dos serviços deveriam assumir a responsabilidade pelo mapeamento, tornando a construção de redes um processo menos complicado do ponto de vista das garantias e seguros.

Em outros países o mapeamento é exigido para se evitar que a empresa responsável pelo projeto tenha que arcar com pesadas indenizações quando da ocorrência de acidentes.

Pelo exposto é recomendado que nenhum projeto de ocupação do subsolo urbano deva ser iniciado, sem antes realizarmos um detalhado levantamento das condições do que existe no citado ambiente.

www.marciusvitale.com.br

*Marcius Vitale:  engenheiro, consultor, CEO da Vitale Consultoria e presidente da Adinatel – Associação dos Diplomados do Inatel


   

jun 04

Visão com Ação

Ponto ISP

O MUNDO DOS PROVEDORES DE ACESSO À INTERNET


“TEMOS QUE GRAVITAR NESSA PROFUSÃO DE NOVAS TECNOLOGIAS, APLICATIVOS REVOLUCIONÁRIOS E COMUNICAÇÃO INSTANTÂNEA, ITENS QUE DEVEM SER OBSERVADOS E ACOMPANHADOS POR EXPERTS EM COMUNICAÇÕES DIGITAIS”

MARCIUS VITALE — 4 DE JUNHO DE 2020

COLUNISTA

   

*Marcius Vitale 


Nestes novos tempos, para participar com competência no mercado é necessário que os ISPs observem com atenção ao que denomino “Miopia Digital”.

Miopia digital é uma notória evidência da falta de visão do que vem ocorrendo na conjugação do marketing 4.0 com a IoT – internet das coisas e RPD – rádio peão digital.

Rádio peão digital – RPD 

Por definição, é um mecanismo real, utilizado pelas pessoas de um grupo, conectados numa rede social, para fazer circular informações que estas mesmas pessoas consideram importantes para suas necessidades.

A RPD é onipresente no mundo das comunicações digitais, não possui estrutura formal ou permanente, não está sob controle ou direção de integrantes, move-se em todas as direções dentro da rede mundial, onde todos os internautas podem dela participar.

Por ser totalmente informal e ter abrangência mundial, ela estende seus braços para todas as comunidades, invadindo todos os espaços conectados no mundo web.

Uma característica da RPD é que ela é infalível, responde a todas as dúvidas surgidas sobre determinado assunto de interesse.

Pela rádio peão transitam informações de todo tipo e o enfoque primordial é a circulação de rumores e boatos, as chamadas fakes news (notícias falsas).

Para o momento atual, temos que nos preocupar com os conteúdos veiculados nas redes sociais. Uma nota provocativa e/ou mesmo negativa pode macular a imagem da uma organização, sendo muitas vezes de difícil recuperação.

Um ponto relevante é que o acesso à informação ficou facilitado, fazendo com que o usuário fique dependente das notícias e conteúdos gerados por terceiros, fato este, que pode ser útil ou prejudicial à sua marca.

Finalmente, a última característica da RPD diz respeito a sua indestrutibilidade, isto é, mesmo contra o desejo e a boa vontade dos internautas pertencentes à rede, a rádio peão digital é indestrutível, justamente pela forte interação entre as pessoas conectadas.

Marketing 4.0 

É uma nova tendência para divulgação da sua linha de produtos e serviços e procura atender plenamente os sentimentos humanos dos consumidores, criando laços personalizados e duradouros com seu público-alvo, daí a necessidade de um rígido acompanhamento da sua imagem via rede.

O marketing 4.0 transforma os consumidores em embaixadores da sua marca, onde suas preocupações e anseios são considerados. Pontos importantes passaram a ser observados por eles, tais como: engajamento com o meio ambiente, causas sociais, sustentabilidade e ética.

IoT – Internet das Coisas 

Tudo está sendo conectado o tempo todo através da internet das coisas. O mundo se tornou pequeno e totalmente interligado, outra evidência que deve ser acompanhada, estudada e entendida por todos os ISPs.

Conjugação da RPD & Marketing 4.0 & IoT

Temos que gravitar nessa profusão de novas tecnologias, aplicativos revolucionários e comunicação instantânea, itens que devem ser observados e acompanhados por experts em comunicações digitais.

Tenho observado que algumas empresas do segmento de telecomunicações ainda não estão atentas com as atuais técnicas da comunicação e marketing pois, continuam imersas no mofado mundo analógico de décadas passadas.

Retirar a venda dos olhos e ter “Visão com Ação”, é necessário para observar o futuro que já está presente, curando ao que denomino de “Miopia Digital”.


*Marcius Vitale:  engenheiro, consultor, CEO da Vitale Consultoria e presidente da Adinatel – Associação dos Diplomados do Inatel www.marciusvitale.com.br

abr 18

Gestão com música para ISPs

COLUNISTA

O PROJETO TOCANDO SUA EMPRESA APRESENTA A EVOLUÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES E REVIVE A HISTÓRIA DA MÚSICA, AO MESMO TEMPO EM QUE PROPÕE A INTEGRAÇÃO E O ALINHAMENTO DE EQUIPES CORPORATIVAS PARA UMA NOVA DINÂMICA DE TRABALHO.    


Por Marcius Vitale* — 16 de abril de 2020




“Veremos cada vez mais organizações funcionando como banda de Jazz”
Peter Drucker

Os ISPs devem estar atentos a gestão e treinamento do time de colaboradores, para que o atendimento e satisfação dos clientes sejam plenamente atendidos e que o “ROI” retorno sobre o investimento seja compensador. Visando auxiliar o entendimento na adoção de estilos musicais de administração empresarial, criamos alguns modelos que podem ser implementados.

A música é a forma de expressão mais antiga da humanidade, sendo uma linguagem de comunicação universal com forte poder emocional. Quando utilizada corretamente, pode auxiliar no desenvolvimento de liderança, do engajamento do time de colaboradores, desempenho e gestão das organizações.

Nosso projeto propõe correlacionar a evolução dos modelos de gestão organizacional com a história da arte musical por meio de analogias que levam a adoção de um novo entendimento da organização, um novo ritmo, uma nova melodia e uma nova harmonia.

Desta forma, a proposta visa sugerir que o “staff” colaborativo passe a “tocar sua empresa” com o mesmo empenho que um maestro, ou um músico, “toca sua banda ou orquestra”, adotando como base a estrutura da música: ritmo, harmonia, melodia.

A estrutura gerencial de uma organização pode ser que esteja enquadrada em apenas um desses estilos musicais, ou mesmo em todos, dependendo do perfil das equipes dos diversos departamentos.

Tipos de gestão: Samba, Clássica, Rock, Sertaneja e Jazz.

Características principais:

Administrações modernas devem ser planejadas e estruturadas com a conjugação dos cinco modelos de gestão citados acima, sempre procurando observar as palavras de ordem referendadas.

Com uma aguçada visão de futuro, mais alguns conceitos que caracterizam uma empresa ativa, voltada para o mercado em uma conjuntura econômica globalizada e a importância fundamental das pessoas neste processo a organização irá alcançar seus objetivos, prestando serviços diferenciados aos usuários.

“Meu modelo de negócio são os Beatles. Eles eram quatro caras que conseguiam controlar as tendências negativas um do outro. Eles equilibravam um ao outro, e o total era maior do que a soma das partes. É como eu vejo os negócios: grandes coisas em termos de negócios nunca são feitas por uma pessoa. São feitas por uma equipe de pessoas“.
Steve Jobs


*Marcius Vitale: engenheiro, consultor, músico, CEO da Vitale Consultoria e presidente da Adinatel
www.marciusvitale.com.br

mar 31

Efeito Barragem Manutenção Precária

COLUNISTA

O MUNDO DOS PROVEDORES DE ACESSO À INTERNET

QUANDO VAI BEM, NINGUÉM LEMBRA QUE EXISTE. QUANDO ALGO VAI MAL, DIZEM QUE NÃO EXISTE. QUANDO É PARA GASTAR, ACHAM QUE NÃO É PRECISO QUE EXISTA.

LÚCIA BERBERT — 26 DE MARÇO DE 2020

Por MARCIUS VITALE *

No ciclo de vida de um projeto de infraestrutura, para que possamos obter pleno sucesso, não é concebível que após sua implantação a manutenção seja negligenciada, fato este observado com frequência.

Em diversas áreas da engenharia, temos registrado inúmeros casos graves tais como: o acidente em barragens, quedas de viadutos, deslizamentos, enchentes provocadas por ausência de obras de saneamento e incêndio em agrupamento de cabos instalados em postes, que denotam desatenção por parte dos gestores responsáveis.

Em alguns nichos “o trem anda nos trilhos”, é o caso da aviação que não admite falha: manutenção precária – avião no chão

O conceito de manutenção é definido por uma ação ou série de ações requeridas, para prever uma ocorrência de falha ou para restabelecer as condições satisfatórias de operação de um equipamento, rede ou sistema.

Para se obter sucesso, carece de conhecimento técnico para aplicação das boas práticas da engenharia, assim como, investimentos na formação, treinamento e reciclagem da mão de obra, utilizando sempre equipamentos de apoio adequados e que os gestores saibam valorar esses serviços.

Minimizar as despesas operacionais é o desejo de todo administrador e para tanto, uma estratégia segura e conhecimento, podem orientá-lo na adoção de qual o método de manutenção que deve ser utilizado.

Outros fatores que podem colaborar para a melhoria nos processos de manutenção e preservação do que está implantado, é a contratação de um corpo técnico competente e empresas prestadoras de serviços, que possuam notórios conhecimentos,  sejam treinadas e remuneradas adequadamente.

Para que o sistema não fique emperrado, temos que ter muita competência técnica, inovação e criatividade que possibilitem uma fluidez para as gigantescas necessidades de banda que trafegam na nossa infraestrutura de redes.

Estamos num novo tempo, a era digital está presente com a internet das coisas, cidades digitais, inteligência artificial e o 5G, fatores que requerem dos atores envolvidos, uma aguçada visão de futuro.

O cliente está cada vez mais exigente e atento para o que é disponibilizado. Quem não se enquadrar, terá serias dificuldades.

“Dificilmente existirá alguma coisa neste mundo que alguém não possa fazer um pouco pior e vender um pouco mais barato. E as pessoas que consideram somente preço são suas merecidas vítimas” JOHN RUSKIN – Filósofo

MANUTENÇÃO É ISSO

Quando vai bem, ninguém lembra que existe.

Quando algo vai mal, dizem que não existe.

Quando é para gastar, acham que não é preciso que exista.

Porém quando realmente não existe…

Todos concordam que deveria existir.

“Arnold Sutter” 

*MARCIUS VITALE é engenheiro, CEO da Vitale Consultoria & Inteligência de Negócios, presidente da Adinatel e coordenador do Grupo de Infraestrutura do SEESP

mar 31

Desorientação Espacial

Ponto ISP

O MUNDO DOS PROVEDORES DE ACESSO À INTERNET

COLUNISTA

“NAS REDES URBANAS DE TELECOMUNICAÇÕES ESTAMOS REALIZANDO UM VOO CEGO, DENTRO DE UMA DENSA CAMADA DE NUVENS DENOMINADA “CUMULUS NIMBUS”, SEM PODERMOS OBSERVAR COM CLAREZA O HORIZONTE DA TECNOLOGIA E A PRÁTICA DA BOA ENGENHARIA”

Por MARCIUS VITALE*

Na aviação a desorientação espacial é responsável por inúmeros acidentes fatais, pois o piloto não consegue determinar acuradamente sua localização quando em voo.

O mesmo conceito verificado no setor de aviação, pode ser utilizado, para realizar uma analogia com o segmento de infraestrutura de telecomunicações urbana no Brasil.

Nas redes urbanas de telecomunicações estamos realizando um voo cego, dentro de uma densa camada de nuvens denominada “Cumulus Nimbus”, sem podermos observar com clareza o horizonte da tecnologia e a prática da boa engenharia.

Para comprovarmos este voo cego, basta observarmos a condição caótica das nossas redes de cabos pendurados em postes em diversas cidades, que denotam que muitos pilotos do setor estão navegando sem uma orientação adequada, conduzindo a “aeronave infraestrutura”, rumo a um possível acidente, com risco de perda total.

Há quatro anos o SEESP – Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, criou um grupo de trabalho, formado por profissionais detentores de expertise e notórios conhecimentos no setor de redes de telecomunicações, com a missão de propor medidas técnicas a serem adotadas, para a minimização dos inúmeros problemas detectados no campo.

O citado grupo de trabalho, sob minha coordenação, levantou cerca de 90 pontos ofensores, que podem comprometer o bom desempenho da infraestrutura urbana de redes no Brasil.

Dentre os pontos impactantes levantados, para que sejam sanados, muitos só dependem da gestão dos ocupantes da infraestrutura, sendo que os mais críticos, necessitam de uma atuação maior por parte dos que criam as regras, normas e resoluções a serem cumpridas.

Dos 90 pontos críticos levantados pelo grupo, cito alguns exemplos selecionados aleatoriamente, sendo que os demais possuem a mesma relevância.

– Especificações técnicas das companhias de energia defasadas, criadas numa época que tínhamos poucos ocupantes, instalando cabos nos postes brasileiros;

– Excesso de ocupantes para a utilização de somente seis pontos de fixação nos postes;

– Algumas redes implantadas a revelia sem autorização das elétricas;

– Não atendimento as normas de segurança NR10 e NR35;

– Falhas no treinamento técnico e certificação da mão de obra;

– Utilização de muitos produtos não certificados;

– Carência de empresas especializadas em fiscalização de infraestrutura;

– Presença de cabos mortos em postes (sem utilização) em quantidade assustadora, ocupando espaços de forma desordenada e a revelia;

– Desordem na fixação de caixas de emenda, reservas técnicas e entre os vãos dos postes;

Este voo cego no interior da densa camada de nuvens, tem uma ligação direta com a queda na qualidade dos serviços prestados, gerando uma poluição visual do cenário urbano e grande risco de acidentes para os técnicos das ocupantes e população, que gravitam nas proximidades dessa infraestrutura.

Para complicar ainda mais o nebuloso cenário, não existe comunicação clara entre os diversos atores, que possa facilitar o “azeitamento” de ações para a organização e ordenamento do caos das redes aéreas.

Somente com uma coordenação centralizada e autônoma, que possa se responsabilizar pela condução integrada dos projetos, é que conseguiremos pousar a “aeronave infraestrutura” no aeroporto do sucesso.

Sem esta gestão composta por um time de experts, com notórios conhecimentos da realidade e do que deve ser implementado no campo, continuaremos enxugando o denso gelo localizado nesses “Cumulus Nimbus” das redes de telecomunicações urbana.

Para finalizar este artigo:

“Não basta saber, é preciso também aplicar, não basta querer é preciso também agir” – (Goethe)

*Marcius Vitale é engenheiro, CEO da Vitale Consultoria & Inteligência de Negáocios, Coordenador do Grupo de Infraestrutura do SSESP e Presidente da Adinatel.

mar 31

Otimização de ocupação da rede subterrânea

Matéria de minha autoria, publicada na Revista RTI – março de 2020 – páginas 52, 54 e 55.

Um fato que vem sendo deixado de lado é a liberação de dutos para o compartilhamento das redes subterrâneas de telecomunicações nas grandes cidades brasileiras.

Com a modernização das redes, com milhares de cabos disputando espaços limitados nos postes, os antigos cabos metálicos de até 2400 pares, continuam ocupando preciosos espaços no subsolo congestionado.

Para a remoção desses cabos é necessário um bom planejamento de manutenção. Os trabalhos são de grande complexidade e carecem de mão de obra especializada e bem remunerada, para assegurar que os cabos subterrâneos que irão permanecer não sejam danificados.

Como os postes estão em situação caótica, remanejamentos das redes aéreas para o subterrâneo são cada vez mais necessários, o que tem gerado a confecção de projetos de enterramento de centenas de dutos em valas abertas, não recomendado tecnicamente.

A justificativa cabível para essa afirmação é de fácil compreensão. Como o subsolo urbano em muitos casos é ocupado de forma indiscriminada por diversos segmentos como água, gás, energia, esgoto, as valas para enterramento dos dutos de telecomunicações procuram os caminhos livres para serem instalados, ocupando os últimos espaços disponíveis do subterrâneo.

Desta forma, o que já está ruim acaba ficando pior com um subsolo totalmente congestionado por um emaranhado de dutos das diversas concessionárias (água, energia, gás, sinalização semafórica). As implantações de novos projetos e mesmo os serviços de manutenção são bastante prejudicados, gerando elevados gastos, para arrumação da desordem.

Uma forma de otimização dos limitados espaços do subsolo urbano é a adoção de ações proativas, com a utilização de microtecnologia e a liberação dos  dutos para uso compartilhado por diversos ocupantes.

Conforme citado, os trabalhos de retirada dos cabos inservíveis do subterrâneo e a arrumação das caixas subterrâneas são elevados, mas podem trazer para as operadoras detentoras desses insumos ganhos consideráveis com a comercialização do cobre a ser retirado, assim como com o aluguel dos dutos vagos para terceiros. 

Outro fato a ser considerados é que ruas deixam de ser abertas para o enterramento de dutos, em muitos casos, impedindo que futuras redes sejam implantadas e mantidas de forma correta.

Para que estas ações sejam implementadas é necessária uma gestão efetiva e competente. Essa seara não é para principiantes e carece que equipes com notórios conhecimentos em obras de telecom sejam contratadas.

Afim de minimizarmos os problemas detectados na infraestrutura urbana, provocados pela execução de obras com valas abertas, uma nova opção técnica está sendo introduzido no Brasil.

Trata-se da microtecnologia, composta por microdutos e microcabos, uma solução que auxilia na despoluição do subsolo urbano, liberando espaço e incrementando uma evolução tecnológica, modelo já utilizado em larga escala em países desenvolvidos.

Para que o novo sistema tenha êxito, estamos trabalhando na adequação técnica da solução, para atendimento das condições físicas do nosso subsolo urbano e do treinamento e certificação da mão de obra envolvida.

Pela tipicidade da pavimentação asfáltica utilizadas no país, muitas obras são realizadas com a adição da camada asfáltica sobre paralelepípedos, o que provoca uma abertura de valas com dimensões acima do previsto. Essa abertura da capa asfáltica gera um sobrepreço dos projetos, pois é exigido que a via seja integralmente recomposta.

Os citados microdutos são implantados em microvalas, com dimensões diminutas, cerca de 20 mm de largura por 400 mm de profundidade. A pequena abertura da vala é recomposta por asfalto frio, que não ocasiona recalque da cobertura, assegurando que a camada asfáltica fique sem depressões e/ou calosidades.  

Aqui cabe uma observação: não confundir microvala com minivala 

Minivala 

Para as minivalas, o rompimento da capa asfáltica utiliza um equipamento dotado de discos com bits de metal duro. Quando da execução da obra, a abertura muitas vezes pode sofrer uma desagregação do pavimento na superfície da minivala escavada, o que acaba gerando uma abertura maior que a prevista. 

Outro detalhe a ser considerado é que os tais “Bits de Metal Duro” não conseguem romper concreto armado, paralelepípedos e até mesmo algum outro material resistente existente no trajeto.

Microvala

As microvalas possuem características bastante diferenciadas das minivalas, quanto a sua abertura. Utilizam equipamentos dotados de discos de corte com seguimentos de diamante, que podem abrir qualquer tipo de material existente no trecho tais como: paralelepípedos, trilhos metálicos, concreto armado, outros materiais.

Quando da abertura das valas, o citado disco de diamante é refrigerado com água, minimizando a quantidade de material a ser descartado, que é eliminado junto com a água de lavagem e limpeza da obra, cerca de 8 litros de material por metro de microvala, com a total eliminação de poeira.

Assegurando uma largura de vala uniforme, com 20mm de largura, sem risco de desagregação do pavimento da parte superior da microvala, os microdutos são instalados num ambiente seguro para a integridade e proteção mecânica.

A reconstituição da capa asfáltica da microvala, garante que não haverá recalque assegurando que a via será preservada.

O resultado final da obra é promissor, uma vez que resulta em significativa economia, pela não necessidade de recomposição asfáltica da via, comparativamente com os métodos tradicionais de obras utilizando dutos e microdutos.

Quem conhece infraestrutura de redes de telecomunicações urbana sabe como proceder para que os projetos sejam coroados de sucesso. 

fev 26

Gestão da qualidade de produtos e equipamentos, uma necessidade atemporal.

COM UMA DEMANDA AVASSALADORA POR PRODUTOS E EQUIPAMENTOS, PARA ATENDIMENTO A NOVOS PROJETOS, MUITOS ISPS ESTÃO ADQUIRINDO ESTES INSUMOS SEM LEVAR EM CONSIDERAÇÃO A QUALIDADE

Com uma demanda avassaladora por produtos e equipamentos, para atendimento a novos projetos, muitos ISPs estão adquirindo estes insumos sem levar em consideração a qualidade. As aquisições são realizadas pelo menor preço, o que acaba por encurtar a vida útil das redes implantadas e queda na qualidade dos serviços prestados.

Nos tempos da antiga holding Telebrás, coordenei por muitos anos os processos de certificação de produtos, equipamentos e sistemas que eram fornecidos para as 28 empresas operadoras estaduais mais Embratel.

Mesmo com o fornecimento de produtos exclusivamente dirigido para as operadoras estaduais, o que era de alguma forma um mercado cativo para os fornecedores, tínhamos rígidos processos de controle do que era fabricado, processado, importado e entregue para as operadoras.

Controlávamos a qualidade dos produtos pelo SAUF, Sistema de Aceitação Unificado em Fábrica e mantínhamos engenheiros especializados dentro das estruturas fabris, para a execução de testes de conformidade em amostras coletadas diretamente da linha de produção.

Além do procedimento citado no item anterior, também coletávamos amostras de produtos fornecidos e estocados em almoxarifado e no campo, para uma reavaliação periódica. Este era o método utilizado, para uma garantia adicional de atendimento às normas e exigências técnicas – Práticas Telebrás.

O primeiro passo para liberarmos a comercialização dos produtos, era a execução de rigorosos testes em campo e laboratório. Se tudo estivesse OK, emitíamos o Certificado da Qualificação Técnica, denominado AQT, que era o passaporte para o fornecimento dos produtos para as empresas operadoras estaduais mais Embratel.

Para complementar o ciclo de avaliações laboratoriais, todos os produtos pós instalados, eram assistidos ao longo dos anos, por um processo que desenvolvemos denominado – Acompanhamento do Desempenho do Produtos em Campo.

Qualquer problema detectado no ciclo de vida do produto instalado, ações eram implementadas junto ao fabricante, para a eliminação das não conformidades.

Com todo o controle implantado na época, frequentemente tínhamos que tomar a decisão de interromper o fornecimento dos produtos e equipamentos, exigindo dos fornecedores a correção dos problemas detectados.

Para assegurar a longevidade do que era implantado, realizávamos também competentes cursos de treinamento da mão de obra dos profissionais das operadoras e prestadores de serviço, para garantir que os produtos qualificados fossem instalados e mantidos corretamente.

Sem gestão da qualidade do que é adquirido e implantado, apoiado por competentes ações treinamento e fiscalização dos projetos em campo, observamos que a conta não fecha, trazendo transtornos, perda de receita, desgaste na imagem da empresa e insatisfação e reclamações dos clientes.

Os antigos procedimentos não caíram em desuso, e devem ser modernizados e aplicados para quem quiser garantir a longevidade da sua infraestrutura.

É inadmissível que novas tecnologias e novos produtos sejam adquiridos e implantados não considerando os conceitos citados neste artigo.

Matéria publicada no Portal ISP da Momento Editorial em 21 de Fevereiro de 2020.

dez 13

2º Workshop da Câmara Especializada de Engenharia Elétrica – CREA SP

Workshop Infraestrutura Urbana de Telecomunicações – CREA SP – dia 12 de dezembro de 2019

Programação abaixo, no ESPAÇO TÉRREO DA Sede Angélica (Avenida Angélica, 2.364 – São Paulo/SP).

Programação 2º Workshop da CEEE-SP

9:00h
Abertura

9:30 – 11:00
Palestra Engº Bruno Kikumoto (Canal Solar) – Mercados de Energia Fotovoltaica

11:00 – 11:15
Coffe break

11:15–12:45
Palestra Engº Marcelo Villalva (UNICAMP) – Qualidade das instalações fotovoltaicas

12:45 – 13:45
Almoço

13:45 – 15:15
Palestra Engº Marcius Butti Vitale – Infraestrutura de Redes Urbanas de Telecomunicações – Ainda tem Solução?

15:15 – 15:30
Coffe break

15:30 – 16:45
Palestra GTT interpretação da NR-10 e NR-35 para o Compartilhamento de Postes
16:45h

Encerramento

Principais temas abordados pelo Engenheiro Marcius Vitale na apresentação:

– Um pouco de história – Situação da infraestrutura de telecomunicações até a privatização.
– Cenário atual observado nas redes implantadas.
– Principais trabalhos do Grupo de Infraestrutura de Telecomunicações do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo – SEESP 
– Pontos impactantes observados na planta.
– Leis, Resoluções e Decretos não observados pelos ocupantes da infraestrutura em todo o país.
– Atores envolvidos nos projetos, com sua atribuições e responsabilidades.
– Uso desordenado do subsolo urbano.
– Redes aéreas caóticas.
– Necessidade de compartilhamento da infraestrutura aérea e subterrânea.
– Segurança no trabalho (NR 03 / NR 06 / NR 10 / NR 33 e NR 35).
– Importância na adoção microtecnologia
– Obras compartilhadas utilizando microtecnologia, com foco nos nossos produtos.
– Implantação de microdutos e microcabos aéreos e subterrâneos.
– Método MND, valas abertas e galerias compartilhadas.
– Projeto Infravias para o ordenamento das redes subterrâneas.
– Redes ópticas sinérgicas – projeto pioneiro desenvolvido pela Cemig e CPQD.
– Considerações finais sobre: Respeito as leis, normas, resoluções, planejamento, projeto, implantação, materiais utilizados, desempenho de produtos em campo, treinamento da mão de obra, fiscalização, manutenção, auditorias técnicas e da prática da boa engenharia em infraestrutura de telecomunicações.

nov 04

A questão dos postes










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25/10/2019


Abaixo, a reprodução da matéria publicada pela Revista Painel da AEAAPP, edição de setembro deste 2019, traz a discussão sobre a desordem nos fios e cabos aéreos. Entre as fontes ouvidas para a reportagem, está o diretor do SEESP Carlos Kirchner e o consultor Marcius Vitale, coordenador do Grupo de Infraestrutura de Telecomunicações do SEESP. 

A questão dos postes

Novas tecnologias e serviços fizeram as cidades avançarem, mas também as tornaram mais poluídas em razão do cabeamento aéreo de internet, TV a cabo e energia elétrica; entenda como funciona e quem é responsável por isso.


Desde 2018, está em vigor a Lei Municipal 14.045/2017 que estabelece regras de gestão para o compartilhamento dos postes em Ribeirão Preto. Os postes da cidade, cerca de 80 mil, têm dono: a concessionária de energia elétrica que, na maioria das cidades paulistas, é o Grupo CPFL. Ela compartilha esse espaço, mediante aluguel, com outras empresas prestadoras de serviços – de telefonia, internet etc – que penduram seus fios e equipamentos para fazer seus sinais chegarem às casas das pessoas.

“Ocorre que, as empresas usam os espaços de maneira indiscriminada, causando transtornos à cidade, uma vez que os cabos, quando se soltam – o que não é raro – ficam no lugar por muito tempo, e ninguém se responsabiliza”, observa o engenheiro Luiz Umberto Menegucci, diretor administrativo da AEAARP.

São as agências reguladoras de telecomunicações (ANATEL) e de energia elétrica (ANEEL) que normatizam a utilização dos postes em todo o país. O engenheiro Március Vitale, do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo (SEESP), afirma que a questão é de segurança da população e de poluição visual. Ele integra um grupo que debate o tema no SEESP, propondo soluções.


Os postes são concessões públicas outorgadas à exploração por distribuidoras de energia elétrica. A atual legislação concede às empresas de telecomunicação o direito de uso compartilhado dessa infraestrutura, que é pública, porém gerida e explorada comercialmente por empresas privadas. O direito é garantido por lei, a de número nº 9.472 de 16 de julho de 1997, conhecida como Lei Geral das Telecomunicações.


A concessão do direito inclui, além dos postes, “dutos, condutos e servidões pertencentes ou controlados por prestadora de serviços de telecomunicações ou de outros serviços de interesse público, de forma não discriminatória e a preços e condições justos e razoáveis”.


Para disciplinar essa relação, a ANATEL, a ANEEL e a ANP (Agência Nacional de Petróleo) fixaram diretrizes em resoluções conjuntas editadas em 1999, 2001, 2014 e 2017. As regras valem para os 46 milhões de postes de distribuição de energia elétrica de todo o Brasil. No estado de São Paulo são 7 milhões de postes.

As resoluções disciplinam, por exemplo, quais os tipos de infraestruturas que usarão os espaços compartilhados, regras para resolução de conflitos, define valores de referência a serem cobrados no aluguel de postes e a última, de 2017, atualiza a primeira, de 1999. Segundo a ANATEL, as normatizações não regulam a quantidade de cabos ou equipamentos a serem fixados nos postes. “Cabe às distribuidoras detalhar as regras de utilização dessa  infraestrutura e realizar a boa gestão dos postes, atividade pela qual são remuneradas pelos prestadores ocupantes”, informou a assessoria de imprensa da agência.


Cabe à empresa que ocupa o poste, ainda de acordo com a agência, observar a legislação local, o plano de ocupação e a conformidade técnica com as normas de postes de cada distribuidora.


A CPFL informa que os postes têm capacidade de suportar esforços entre 200kg e 1.200kg, dependendo do modelo de construção de cada um.

A companhia substitui aqueles que apresentam defeitos ou representam riscos, conforme o plano de manutenção. Não há, porém, busca ativa de mau uso dos postes. Isto é, os cabos que por ventura não estão ligados a redes de energia ou telecomunicações são de inteira responsabilidade das empresas que os colocaram ali. Não há também da CPFL resposta clara para um questionamento: como é a fiscalização e se é aceitável que um poste tenha inúmeros fios. À essa questão, a assessoria de imprensa da companhia respondeu que a CPFL atende às normas técnicas, sem informar, porém, qual é o número da referida norma.


Solução Uma das possibilidades apontadas pelo engenheiro Luiz Umberto é a instalação de infraestrutura subterrânea, semelhante ao que já foi feito no calçadão central de Ribeirão Preto. A primeira é a normatização do uso do subsolo urbano. Március Vitale afirma que, em geral,  muitas cidades brasileiras não têm planejamento ou lei que regule o uso do subsolo. Na prática, significa que os montes de cabos aéreos seriam apenas enterrados, transferindo o problema para debaixo da terra, literalmente.


Para se ter uma ideia, no Brasil existem cerca de 10 mil provedores de internet, fora os prestadores de serviços de televisão, telefonia, etc.. O subsolo já é ocupado por redes de água, eletricidade, esgoto e gás. Em alguns lugares, conforme relato de Március, o projeto de transferir a fiação aérea para infraestrutura subterrânea é dificultado pelo fato de que cada prestadora de serviços reivindica a instalação de seu próprio duto, sem acordo de compartilhamento da infraestrutura de rede.


A tecnologia, esclarece Március, permite que os dados que passam por um grande número de cabos ópticos tradicionais, por exemplo, sejam substituídos por microcabos que podem ser instalados em um único microduto com várias vias e menos agressivo à paisagem urbana – até mesmo se permanecerem pendurados nos postes.


A questão, portanto, não é onde colocar os fios. Mas, como coloca-los, o que necessita de planejamento, boa engenharia e ocupação racional do subsolo urbano.


Há ainda outra questão: a destinação da fiação. As empresas de telecomunicações que colocam os cabos nos postes são as responsáveis pela manutenção e retirada dos mesmos.

Muitas não retiram os “cabos mortos”, no jargão do setor, por questão de logística – precisam destinar uma equipe para retirar algo que não é usado na rede. Além disso, a destinação  correta desses cabos, especialmente os óticos, é complexa.


Os postes das grandes cidades suportam hoje redes de TV a cabo, de cabos metálicos e ópticos de operadoras e provedores de internet, redes primárias e secundárias de energia, transformadores, braços de iluminação pública, amplificadores e dispositivos (armários de distribuição aéreos, caixas de emenda óptica e reservas técnicas).

Além disso tudo, segundo o engenheiro Március, os postes têm dezenas de canos galvanizados fixados em suas estruturas para subidas de lateral (tubos galvanizados que interligam as redes subterrâneas com a rede aérea por onde passam os cabos de telecomunicações).


“Antigamente os postes suportavam os cabos, hoje os cabos suportam os postes”, fala o engenheiro. “Antigamente”, ainda segundo ele, os manuais técnicos de procedimentos da holding Telebras, que controlava as 28 empresas operadoras estaduais mais a Embratel, regulamentava a utilização dos postes. Isso, antes das privatizações e da criação das agências reguladoras. A Telebras determinava para as operadoras de telecomunicações a implantação de cabos aéreos metálicos em postes com até 200 pares. “Em um ramal, quando a quantidade de pares era superior ao especificado,  a rede tinha necessariamente de ser subterrânea”, conta o engenheiro.


Os postes eram ocupados por: cabos metálicos aéreos de telefonia de até 200 pares, caixas de emendas, redes primárias e secundárias de energia, braços de iluminação pública, fios externos de telefonia e, em alguns casos, os tradicionais transformadores. Mas, era uma época sem internet, redes de dados, provedores e o grande número de serviços ofertados a pessoas físicas e jurídicas que exigiam energia, comunicação e compartilhamento de informações.


As empresas proprietárias dos postes definem em cada um deles os espaços de 500 mm, com cinco pontos de fixação, distantes 100 mm um do outro, que podem ser utilizados pelas operadoras e provedores de internet. “O que passar deste limite estará fora do padrão atualmente definido pelas concessionárias de energia”, de acordo com Március. Ele ressalta que, além de poluir visualmente as cidades, tecnicamente as manutenções das redes aéreas são custosas e a qualidade dos serviços ofertados instáveis, além de não atenderem às Normas 
Regulamentadoras NR 10 – Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade 10 e NR 35 Trabalho em Altura.


No passado, o lugar do poste onde se concentravam fios e equipamentos foi apelidado pelos técnicos de zona “T”, em razão da formação da letra quando combinados o concreto e os cabos. Március “brinca” com essa denominação: “Hoje, seria zona do terror”. Para ele, a solução é a utilização de recursos tecnológicos já disponíveis, que possibilitam a organização dos cabos no subterrâneo e nos postes, de forma segura e agradável aos olhos.  “Existem pequenos dutos, os microdutos, onde é possível lançar microcabos ópticos em cada um deles. Com projeto mais específico, é possível colocar um número maior de microcabos, usando normas sobre compartilhamento de redes que precisam ser detalhadas no projeto”, explicou o consultor. Há aí engenharia, no projeto e na definição de soluções para implantar a infraestrutura. Dois caminhos podem ser seguidos para reduzir o volume de cabos aéreos. Um deles é enterrá-los em uma vala aberta, o que também resolveria a poluição visual. Outro aglutiná-los em um microduto aéreo ou subterrâneo. “A grande vantagem da microtecnologia subterrânea é que dá para usar o espaço entre o meio fio e a capa asfáltica entre a calçada e a rua, onde é possível abrir uma microvala. Nela, que tem cerca de três centímetros de largura e 30 centímetros de profundidade, é possível instalar alguns microdutos. Depois, a microvala é tampada com asfalto frio”, detalha o engenheiro.

“Pelas pequenas dimensões da microvala”, continua, “não existe a necessidade de recompor a capa asfáltica em toda a via, o que resulta numa obra mais econômica, além de evitarmos que serviços de recomposição mal acabados sejam realizados, causando enormes problemas para a população”.

O Caso Bauru

Em Bauru (211 km de Ribeirão Preto), a Comissão de Infraestrutura Aérea Urbana (Coinfra) adotou a estratégia do diálogo. O poder público suspendeu a aplicação de multas, a concessionária de energia (também lá a CPFL), empresas de telecomunicações e internet comprometeram-se a retirar os fios “mortos”.


O cronograma definido no acordo se estenderá até 2020. Já foram retirados 1.500 quilômetros de cabos que equivalem a 34 toneladas de fios. O engenheiro Carlos Kirshner representa o Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo (SEE) na Coinfra e explica que o êxito da estratégia do diálogo não eliminou ações punitivas por parte do poder público, que são aplicadas em casos de redes clandestinas, por exemplo.

set 07

NetCom 2019 – Workshop – Infraestrutura de Telecomunicações

02/09/2019

1º Workshop RTI de Compartilhamento de Postes atrai grande público

Deborah Moreira*
Comunicação SEESP

O “1º Workshop RTI de Compartilhamento de Postes”, durante a NETCOM 2019, atraiu centenas de visitantes da feira do setor de telecomunicações e tecnologia, no Pavilhão Verde do Expo Center Norte, em São Paulo (SP). O espaço dedicado às palestras lotou com profissionais do ramo que puderam fazer perguntas ao final de cada exposição. Entre os palestrantes, diretores do SEESP e Marcius Vitale, coordenador do Grupo de Infraestrutura de Telecomunicações do SEESP, que fez a abertura do encontro e coordenou o workshop.

Palestra sobre Interface da NR10 e NR35 em manutenção de redes de telecomunicações, com Aguinaldo Bizzo, diretor do SEESP.

workshop bizzo marcius publico
Apresentação do Engenheiro Agnaldo Bizzo

Fotos: Izilda França

workshop marcius
Engenheiro Marcius Vitale


Na abertura, Vitale deu um panorama geral sobre as condições das redes aéreas de telecomunicações no Brasil, que se tornaram um emaranhado de fios e cabos, colocando em risco a vida de profissionais e de quem passa por baixo delas. Fez uma breve apresentação sobre as propostas que seriam apresentadas durante a programação, com foco na implantação das cidades inteligentes, internet das coisas e a chegada do 5G.

“Avalio como uma participação muito positiva do setor. Causou comoção positiva, por exemplo, a exposição do Bizzo, pela sua competência em expor a importância da aplicação das normas, ainda mais nesse contexto em que estamos vivendo, em que estão sendo revistas. Tem que ter responsabilidade e seriedade nisso. As entidades do setor precisam estar alertas”, disse Vitale, referindo-se à atividade “Interface da NR10 e NR35 em manutenção de redes de telecomunicações”, proferida pelo diretor do SEESP Aguinaldo Bizzo de Almeida.

Bizzo ressaltou, entre outras coisas, a importância da aplicação das normas regulamentadoras NR 10, que regula o trabalho com eletricidade, e NR 35, que regula o trabalho em altura, ambas essenciais para as telecomunicações e que, segundo Bizzo, vêm sendo negligenciadas. Por isso, o engenheiro eletricista e de segurança do trabalho enfatizou aos presentes a importância do treinamento dos profissionais para preservação das vidas, tendo em vista a grande quantidade de acidentes e mortes causadas no setor.

Painel de debates “Novas tecnologias para compartilhamento de infraestrutura de redes de telecomunicações” que abordou a Microtecnologia. 

Na sequência, durante o “Painel de debates – Novas tecnologias para compartilhamento de infraestrutura de redes de telecomunicações”, Vitale, que é CEO da Vitale Consultoria, juntamente com Luiz Felipe Lorenzoni de Oliveira, principal Outside Plant Planning Eng. Specialist da CenturyLink; e Marco Antonio Rodrigues, diretor comercial da Tecnexus;
abordaram a microtecnologia, que promete solucionar o problema do volume de fios e cabos nos postes. Segundo Macius Vitale, já existem pequenos dutos, os microdutos, onde é possível lançar até sete microcabos ópticos em cada um deles. “Se for elaborado um projeto mais específico, é possível colocar um número maior de microcabos. Mas aí entram normas sobre compartilhamento de redes que precisam ser detalhadas no projeto”, explicou o consultor.

Segundo o Vitale, existem dois caminhos que podem ser seguidos para a diminuição do número de cabos aéreos. Uma deles é enterrar os cabos em uma vala aberta, o que também resolveria a poluição visual. Outra forma é fazer a aglutinação de cabos dentro do microduto aéreo. “Agora, a mesma coisa pode ser feita no subterrâneo. A grande vantagem da microtecnologia subterrânea e que dá para usar o espaço entre o meio fio e a capa asfáltica, entre a calçada e a rua, onde é possível abrir uma microvala. Nela, que tem cerca de três centímetros de largura e 30 centímetros de profundidade, é possível a instalação de alguns microdutos. Depois, é tampada com asfalto frio”, detalha o coordenador do Grupo de Infraestrutura de Telecomunicações do SEESP. Existe, inclusive, um equipamento específico para isso, chamado Serra Clipper, que faz esse corte: uma interferência mínima nas vias, o que, facilita para a administração publica do ponto de vista financeiro, minimizando gastos.

workshop marcius mesa microtecnologia
Engenheiros: Marcius Vitale, Marco António Rodrigues e Luiz Felipe Lorenzoni


Case da Cidade de Bauru

workshop kirchner copy
Engenheiro Carlos Kirchner


Carlos Augusto Ramos Kirchner, diretor do SEESP e da Kirchner Consultoria, encerrou o workshop apresentando o “Case de sucesso de Bauru”, município no interior paulista onde ele integra a Comissão de Infraestrutura Aérea Urbana (Coinfra), prevista pelo Decreto 13.559/17 – com representantes do governo, da sociedade civil e das empresas – , para discutir soluções no reordenamento de fios e cabos e coordena ações conjuntas com o objetivo de fazer valer as leis municipal(nº 6.679/2016) – que dispõe sobre a obrigatoriedade da concessionária de serviço público de distribuição de energia elétrica, no caso a CPFL Paulista, regularizar o emaranhado, bem como notificar as operadoras responsáveis pelos cabos -, e federal, a Lei Geral de Antenas (nº 13.116/17).

“A Prefeitura chegou a aplicar algumas multas, mas percebeu que esse não era o melhor caminho para resolver o problema. Foi realizada, então, uma reunião com representantes da CPFL e, depois, outra reunião que incluiu representantes das empresas de telecomunicação e internet. Entramos num acordo para que todas as empresas retirassem cabos ‘mortos’ ou irregulares. Fizemos um teste que durou três meses que começou em 1º de abril de 2018 e, a partir daí, dividimos a cidade em 12 quadrantes e traçamos um cronograma de trabalho”, detalhou Kirchner.

Segundo o diretor do SEESP, até julho de 2019 foram retirados 1.500 quilômetros de cabos, o que equivale, em peso, a 34 toneladas. A previsão é que o cronograma se encerre no dia 31 de março de 2020.

“Fizemos isso para não aplicar multas. Estamos satisfeitos porque ao retirarem os cabos ‘mortos’ ou irregulares, sobrou mais espaço nos postes, melhorando um pouco a situação. Se a Anatel e as empresas envolvidas chegarem a um acordo sobre o compartilhamento de postes, ficará melhor ainda”, completou.

Até o momento, cerca de 50 municípios possuem legislação própria sobre o tema. Os esforços estão surtindo resultados, como é o caso de Bauru.

A grande maioria dos especialistas que participou do workshop, ocorrido na quinta-feira (29/8), lembrou que muitas normas regulamentadoras estão passando por revisões neste ano, com consultas e audiências públicas, e que podem ser incluídas especificidades do setor de telecomunicações.


* Com informações da assessoria de imprensa do SEESP.

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