set 24

FTTH Meeting

O futuro da conectividade depende das redes que vamos construir agora!

Rodrigo Conceição Santos, do InfraDigital  (Especial do FTTH Meeting) – 22 de Setembro de 2020

Convergência de tecnologias, compartilhamento de infraestrutura e atualização das normas vigentes são alguns dos desafios que podem interferir na qualidade da nossa vida digital.

A criança joga online pelo tablet enquanto o marido assiste a uma série em 4K pela smart TV. A esposa está concentrada em uma feira de negócios virtual no computador portátil e a avó assiste a reprise da novela pelo aplicativo da TV tradicional. A geladeira apita, avisando que acabou o leite, enquanto as persianas elétricas pedem sinal de reconfiguração no celular por conta de uma queda súbita de energia. Esse é um, dos milhares de cenários em que o nosso cotidiano conectado exige o envio e recebimento de um volume de dados cada vez maior. Os provedores de internet têm a missão de suportar o tráfego por meio de suas redes, cada vez mais congestionadas, e a solução de passar novos cabeamentos está sendo comprometida pela falta de organização que resultam no emaranhado de fios e dutos que passam pelos postes e subterrâneo das metrópoles.

Esse é o impasse que prejudica o avanço da infraestrutura de telecomunicações, tema que está sendo amplamente discutido nesta semana durante o evento virtual FTTH Meeting, com cobertura exclusiva do InfraROI.

Para a Commscope, a convergência de tecnologias que exigem conectividade vai demandar cada vez mais largura de banda larga e a consequente instalação e aprimoramento de redes. Segundo Emerson Santos, engenheiro de aplicação da empresa, veremos aumento de soluções convergentes de iot, cloud computing, 4k, realidade virtual e outras. “E as redes precisam estar preparadas para isso”, diz. A solução, de acordo com ele, começa pela construção de infraestruturas à prova de futuro. Ou seja, as redes precisam estar preparadas para escalonamentos, conforme aumente a demanda por transmissão de dados.

“Ocorre que para construir redes à prova de futuro é preciso investir nos materiais e métodos corretos. E não é isso que temos observado. Muitos provedores regionais optam pelo menor preço e assim adquirem materiais que limitam a expansão da oferta de serviços de conectividade”, intervém Marcius Vitale, engenheiro e consultor de telecomunicações.

Para Vitale, a profissionalização do setor, assim como a capacitação da mão de obra, pode reduzir esse problema. Por outro lado, há uma questão estrutural mais grave, que é a falta de espaço físico para a passagem de novos cabeamentos.

A busca pela abertura e regulamentação desses espaços é o principal tema empenhado por Vitale atualmente. Ele participa de tratativas com prefeituras, concessionárias de energia e técnicos de várias naturezas na busca por essas soluções.

Assim como as redes de gás, saneamento básico e eletricidade, as redes de telecomunicações são de utilidade pública (utilities) e precisam de normas que assegurem a sua evolução. “Hoje, a realidade é que a organização dessas infraestruturas é um caos total, com regiões, principalmente as mais densas, com postes e subterrâneos tomados por dezenas de redes desorganizadas”, diz.

Compartilhamento de infra é a saída

Para resolver o imbróglio, ele e sua equipe desenvolveram vários estudos, entre os quais está um voltado à gestão de micro áreas, de modo que as distribuidoras de energia elétrica, por exemplo, tenham mais capacidade de organização na passagem de redes de telecomunicações pelos seus postes. “Tenho bom relacionamento com as concessionárias de energia e estamos fazendo um trabalho com a prefeitura de São Paulo abordando a interface ideal entre as redes elétricas, de saneamento, gás e telecom”, revela Vitale.

Segundo ele, é preciso validar as soluções desenvolvidas com testes de campo, algo que, além das devidas aprovações, dependem de testes massivos em campo. Por isso ele visualiza que as soluções para a organização e compartilhamento de infraestruturas de redes ocorrerão paulatinamente, sendo que algumas tecnologias, como as de microcabos e microvalas tendem a ganhar espaço.

Problema maior nas redes aéreas

Pelo maior custo inicial de implantação – há estudos que demonstram que esse custo é compensado ao longo da utilização da rede – as instalações subterrâneas ainda são minoria no universo das telecomunicações. Estima-se que mais de 90% das redes estejam em via aérea, ou seja, nos postes das concessionárias de energia elétrica. “Antes os cabos estavam pendurados nos postes. Agora os postes é que estão pendurados neles”, brinca Marco Paulo Giannetti, coordenador técnico da Fibracem.

A sátira demonstra a realidade caótica citada por Vitale e traz a explicação física de que os espaços reservados nos postes pelas normas atuais não condizem com a demanda dos provedores de telecomunicações.

Giannetti explica que as concessionárias de energia disponibilizam basicamente seis pontos de fixação para outras redes, além da sua própria, de energia. “Antigamente, tínhamos uma rede de telecom utilizando o poste. Depois vieram as redes de TV a cabo. Com a privatização das telecomunicações, surgiram as operadoras espelho e as operadoras de longa distância. Com isso, quatro posições já foram ocupadas, restando outras duas para acomodar novas redes”.

Obviamente insuficientes, esses pontos de fixação foram extrapolados, resultando na super ocupação dos postes, como estamos nos acostumando a observar nas regiões com população mais densa. Mas Giannetti pondera que, mesmo nos locais onde há pontos de fixação disponíveis, a incidência de redes instaladas fora de norma é grande. “E isso tem sido um problema cada vez maior para os provedores, pois as concessionárias estão começando a ‘meter o alicate’, literalmente”, diz.

Com destaque apara a Enel, no estado de São Paulo, ele diz ser cada vez mais comum o corte de redes implantadas incorretamente nos postes das concessionárias de energia. Contra isso, ele sugere que os provedores aprimorem conhecimentos sobre as normas vigentes, principalmente a NBR – 1514, da ABNT, criada em 2006. “Essa norma precisa de atualização, mas é a que temos para hoje”, diz.

Baseadas nela, as concessionárias de energia têm as suas próprias regras para a instalação de redes de telecom em seus postes. “No geral, as concessionárias disponibilizam um espaço de 500 mm, abaixo do mastro da luminária e que deve ser dividido entre os seis pontos de fixação citados. Ou seja, cada operadora tem o seu espaço limitado e a instalação da rede deve respeitar especificações como altura mínima de 5 metros em ruas e avenidas ou de 3 metros quando estão sobre o passeio ou ainda de 6 metros quando há tráfego de máquinas agrícolas”, detalha o especialista.

Para seguir com a instalação da rede, uma vez que haja ponto de fixação disponível, o provedor deve apresentar o projeto para validação da concessionária. “Feito isso, é preciso colocar a identificação. E há regras para essa prática também: a etiqueta deve ter dimensão de 90×40 cm, com fundo amarelo e escritos com o tipo do cabo e o nome da ocupante, entre outras especificações”, diz.

Emerson Santos, Marcius Vitale e Marco Paulo Giannetti, assim como dezenas de outros especialistas, palestraram no primeiro dia da 4ª edição do FTTH Meeting, que também acontece hoje e cujas inscrições podem ser feitas gratuitamente em www.ftthmeeting.com.br.

(*) O InfraDigital é um projeto comum de conteúdo do InfraROI e o do IPNews. Para informações sobre o formato, consulte Jackeline Carvalho (jackeline@cinterativa.com.br), Nelson Valêncio (nelson@canaris-com.com.br) ou Rodrigo Santos (rodrigo@canaris-com.com.br).



jun 04

Guerra na ocupação do subsolo urbano

Ponto ISP

O MUNDO DOS PROVEDORES DE ACESSO À INTERNET


FALTA DE PLANEJAMENTO INTEGRADO ENTRE OS ATORES ENVOLVIDOS NAS OBRAS O PROBLEMA DA INFRAESTRUTURA APRESENTA UMA GRANDE COMPLEXIDADE DE DIFÍCIL SOLUÇÃO

COLUNISTA

MARCIUS VITALE — 7 DE MAIO DE 2020


*Por Marcius Vitale

Uma Guerra está ocorrendo no subsolo urbano de muitas cidades brasileiras. Trata-se de uma disputa pela ocupação dos escassos espaços para instalação da infraestrutura de: telecomunicações, energia, gás, água, esgoto e outros setores, que deveriam demandar um conhecimento do que existe no subsolo.

Observamos com frequência cones e grades de sinalização, isolando trechos de movimentadas avenidas para a proteção de trabalhadores, veículos e população, impactando a mobilidade ao redor das obras.PUBLICIDADE   

Um número incalculável de reclamações dos moradores e transeuntes é formalizado no dia a dia e para minimizar e eliminar o citado problema de maneira contundente, alguns procedimentos técnicos devem ser adotados.

Pela inexistência de um planejamento integrado entre os atores envolvidos nas obras, durante décadas, o problema da infraestrutura apresenta uma grande complexidade de difícil solução. Os diversos ocupantes do subsolo constroem e ampliam suas redes, muitas vezes deixando os cadastros dos ativos implantados incompletos e desatualizados.

Sem diretrizes claras dos elementos que devem compor o contexto da infraestrutura subterrânea urbana, a serem inseridos nos planos diretores municipais, somados com políticas públicas bem elaboradas e uma gestão eficiente do espaço público, os projetos de ordenamento sempre deixarão a desejar.

Sem esta avaliação a ser realizada por empresas especializadas em mapeamento do subsolo, corremos o risco de provocar acidentes, como por exemplo: o rompimento de tubulações de gás, água e redes ópticas, interrompendo operações de grandes corporações, causando enormes transtornos à população e acidentes fatais com perda de vidas humanas.

Frequentemente os executores das obras não possuem conhecimento do subsolo, fato este, que impõe a necessidade de mapeamento do que está enterrado, utilizando um equipamento denominado georadar, para assegurar que o enterramento de novos dutos seja realizado com sucesso.

As empresas contratantes dos serviços deveriam assumir a responsabilidade pelo mapeamento, tornando a construção de redes um processo menos complicado do ponto de vista das garantias e seguros.

Em outros países o mapeamento é exigido para se evitar que a empresa responsável pelo projeto tenha que arcar com pesadas indenizações quando da ocorrência de acidentes.

Pelo exposto é recomendado que nenhum projeto de ocupação do subsolo urbano deva ser iniciado, sem antes realizarmos um detalhado levantamento das condições do que existe no citado ambiente.

www.marciusvitale.com.br

*Marcius Vitale:  engenheiro, consultor, CEO da Vitale Consultoria e presidente da Adinatel – Associação dos Diplomados do Inatel


   

jun 04

Visão com Ação

Ponto ISP

O MUNDO DOS PROVEDORES DE ACESSO À INTERNET


“TEMOS QUE GRAVITAR NESSA PROFUSÃO DE NOVAS TECNOLOGIAS, APLICATIVOS REVOLUCIONÁRIOS E COMUNICAÇÃO INSTANTÂNEA, ITENS QUE DEVEM SER OBSERVADOS E ACOMPANHADOS POR EXPERTS EM COMUNICAÇÕES DIGITAIS”

MARCIUS VITALE — 4 DE JUNHO DE 2020

COLUNISTA

   

*Marcius Vitale 


Nestes novos tempos, para participar com competência no mercado é necessário que os ISPs observem com atenção ao que denomino “Miopia Digital”.

Miopia digital é uma notória evidência da falta de visão do que vem ocorrendo na conjugação do marketing 4.0 com a IoT – internet das coisas e RPD – rádio peão digital.

Rádio peão digital – RPD 

Por definição, é um mecanismo real, utilizado pelas pessoas de um grupo, conectados numa rede social, para fazer circular informações que estas mesmas pessoas consideram importantes para suas necessidades.

A RPD é onipresente no mundo das comunicações digitais, não possui estrutura formal ou permanente, não está sob controle ou direção de integrantes, move-se em todas as direções dentro da rede mundial, onde todos os internautas podem dela participar.

Por ser totalmente informal e ter abrangência mundial, ela estende seus braços para todas as comunidades, invadindo todos os espaços conectados no mundo web.

Uma característica da RPD é que ela é infalível, responde a todas as dúvidas surgidas sobre determinado assunto de interesse.

Pela rádio peão transitam informações de todo tipo e o enfoque primordial é a circulação de rumores e boatos, as chamadas fakes news (notícias falsas).

Para o momento atual, temos que nos preocupar com os conteúdos veiculados nas redes sociais. Uma nota provocativa e/ou mesmo negativa pode macular a imagem da uma organização, sendo muitas vezes de difícil recuperação.

Um ponto relevante é que o acesso à informação ficou facilitado, fazendo com que o usuário fique dependente das notícias e conteúdos gerados por terceiros, fato este, que pode ser útil ou prejudicial à sua marca.

Finalmente, a última característica da RPD diz respeito a sua indestrutibilidade, isto é, mesmo contra o desejo e a boa vontade dos internautas pertencentes à rede, a rádio peão digital é indestrutível, justamente pela forte interação entre as pessoas conectadas.

Marketing 4.0 

É uma nova tendência para divulgação da sua linha de produtos e serviços e procura atender plenamente os sentimentos humanos dos consumidores, criando laços personalizados e duradouros com seu público-alvo, daí a necessidade de um rígido acompanhamento da sua imagem via rede.

O marketing 4.0 transforma os consumidores em embaixadores da sua marca, onde suas preocupações e anseios são considerados. Pontos importantes passaram a ser observados por eles, tais como: engajamento com o meio ambiente, causas sociais, sustentabilidade e ética.

IoT – Internet das Coisas 

Tudo está sendo conectado o tempo todo através da internet das coisas. O mundo se tornou pequeno e totalmente interligado, outra evidência que deve ser acompanhada, estudada e entendida por todos os ISPs.

Conjugação da RPD & Marketing 4.0 & IoT

Temos que gravitar nessa profusão de novas tecnologias, aplicativos revolucionários e comunicação instantânea, itens que devem ser observados e acompanhados por experts em comunicações digitais.

Tenho observado que algumas empresas do segmento de telecomunicações ainda não estão atentas com as atuais técnicas da comunicação e marketing pois, continuam imersas no mofado mundo analógico de décadas passadas.

Retirar a venda dos olhos e ter “Visão com Ação”, é necessário para observar o futuro que já está presente, curando ao que denomino de “Miopia Digital”.


*Marcius Vitale:  engenheiro, consultor, CEO da Vitale Consultoria e presidente da Adinatel – Associação dos Diplomados do Inatel www.marciusvitale.com.br

abr 18

Gestão com música para ISPs

COLUNISTA

O PROJETO TOCANDO SUA EMPRESA APRESENTA A EVOLUÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES E REVIVE A HISTÓRIA DA MÚSICA, AO MESMO TEMPO EM QUE PROPÕE A INTEGRAÇÃO E O ALINHAMENTO DE EQUIPES CORPORATIVAS PARA UMA NOVA DINÂMICA DE TRABALHO.    


Por Marcius Vitale* — 16 de abril de 2020




“Veremos cada vez mais organizações funcionando como banda de Jazz”
Peter Drucker

Os ISPs devem estar atentos a gestão e treinamento do time de colaboradores, para que o atendimento e satisfação dos clientes sejam plenamente atendidos e que o “ROI” retorno sobre o investimento seja compensador. Visando auxiliar o entendimento na adoção de estilos musicais de administração empresarial, criamos alguns modelos que podem ser implementados.

A música é a forma de expressão mais antiga da humanidade, sendo uma linguagem de comunicação universal com forte poder emocional. Quando utilizada corretamente, pode auxiliar no desenvolvimento de liderança, do engajamento do time de colaboradores, desempenho e gestão das organizações.

Nosso projeto propõe correlacionar a evolução dos modelos de gestão organizacional com a história da arte musical por meio de analogias que levam a adoção de um novo entendimento da organização, um novo ritmo, uma nova melodia e uma nova harmonia.

Desta forma, a proposta visa sugerir que o “staff” colaborativo passe a “tocar sua empresa” com o mesmo empenho que um maestro, ou um músico, “toca sua banda ou orquestra”, adotando como base a estrutura da música: ritmo, harmonia, melodia.

A estrutura gerencial de uma organização pode ser que esteja enquadrada em apenas um desses estilos musicais, ou mesmo em todos, dependendo do perfil das equipes dos diversos departamentos.

Tipos de gestão: Samba, Clássica, Rock, Sertaneja e Jazz.

Características principais:

Administrações modernas devem ser planejadas e estruturadas com a conjugação dos cinco modelos de gestão citados acima, sempre procurando observar as palavras de ordem referendadas.

Com uma aguçada visão de futuro, mais alguns conceitos que caracterizam uma empresa ativa, voltada para o mercado em uma conjuntura econômica globalizada e a importância fundamental das pessoas neste processo a organização irá alcançar seus objetivos, prestando serviços diferenciados aos usuários.

“Meu modelo de negócio são os Beatles. Eles eram quatro caras que conseguiam controlar as tendências negativas um do outro. Eles equilibravam um ao outro, e o total era maior do que a soma das partes. É como eu vejo os negócios: grandes coisas em termos de negócios nunca são feitas por uma pessoa. São feitas por uma equipe de pessoas“.
Steve Jobs


*Marcius Vitale: engenheiro, consultor, músico, CEO da Vitale Consultoria e presidente da Adinatel
www.marciusvitale.com.br

mar 31

Efeito Barragem Manutenção Precária

COLUNISTA

O MUNDO DOS PROVEDORES DE ACESSO À INTERNET

QUANDO VAI BEM, NINGUÉM LEMBRA QUE EXISTE. QUANDO ALGO VAI MAL, DIZEM QUE NÃO EXISTE. QUANDO É PARA GASTAR, ACHAM QUE NÃO É PRECISO QUE EXISTA.

LÚCIA BERBERT — 26 DE MARÇO DE 2020

Por MARCIUS VITALE *

No ciclo de vida de um projeto de infraestrutura, para que possamos obter pleno sucesso, não é concebível que após sua implantação a manutenção seja negligenciada, fato este observado com frequência.

Em diversas áreas da engenharia, temos registrado inúmeros casos graves tais como: o acidente em barragens, quedas de viadutos, deslizamentos, enchentes provocadas por ausência de obras de saneamento e incêndio em agrupamento de cabos instalados em postes, que denotam desatenção por parte dos gestores responsáveis.

Em alguns nichos “o trem anda nos trilhos”, é o caso da aviação que não admite falha: manutenção precária – avião no chão

O conceito de manutenção é definido por uma ação ou série de ações requeridas, para prever uma ocorrência de falha ou para restabelecer as condições satisfatórias de operação de um equipamento, rede ou sistema.

Para se obter sucesso, carece de conhecimento técnico para aplicação das boas práticas da engenharia, assim como, investimentos na formação, treinamento e reciclagem da mão de obra, utilizando sempre equipamentos de apoio adequados e que os gestores saibam valorar esses serviços.

Minimizar as despesas operacionais é o desejo de todo administrador e para tanto, uma estratégia segura e conhecimento, podem orientá-lo na adoção de qual o método de manutenção que deve ser utilizado.

Outros fatores que podem colaborar para a melhoria nos processos de manutenção e preservação do que está implantado, é a contratação de um corpo técnico competente e empresas prestadoras de serviços, que possuam notórios conhecimentos,  sejam treinadas e remuneradas adequadamente.

Para que o sistema não fique emperrado, temos que ter muita competência técnica, inovação e criatividade que possibilitem uma fluidez para as gigantescas necessidades de banda que trafegam na nossa infraestrutura de redes.

Estamos num novo tempo, a era digital está presente com a internet das coisas, cidades digitais, inteligência artificial e o 5G, fatores que requerem dos atores envolvidos, uma aguçada visão de futuro.

O cliente está cada vez mais exigente e atento para o que é disponibilizado. Quem não se enquadrar, terá serias dificuldades.

“Dificilmente existirá alguma coisa neste mundo que alguém não possa fazer um pouco pior e vender um pouco mais barato. E as pessoas que consideram somente preço são suas merecidas vítimas” JOHN RUSKIN – Filósofo

MANUTENÇÃO É ISSO

Quando vai bem, ninguém lembra que existe.

Quando algo vai mal, dizem que não existe.

Quando é para gastar, acham que não é preciso que exista.

Porém quando realmente não existe…

Todos concordam que deveria existir.

“Arnold Sutter” 

*MARCIUS VITALE é engenheiro, CEO da Vitale Consultoria & Inteligência de Negócios, presidente da Adinatel e coordenador do Grupo de Infraestrutura do SEESP

mar 31

Desorientação Espacial

Ponto ISP

O MUNDO DOS PROVEDORES DE ACESSO À INTERNET

COLUNISTA

“NAS REDES URBANAS DE TELECOMUNICAÇÕES ESTAMOS REALIZANDO UM VOO CEGO, DENTRO DE UMA DENSA CAMADA DE NUVENS DENOMINADA “CUMULUS NIMBUS”, SEM PODERMOS OBSERVAR COM CLAREZA O HORIZONTE DA TECNOLOGIA E A PRÁTICA DA BOA ENGENHARIA”

Por MARCIUS VITALE*

Na aviação a desorientação espacial é responsável por inúmeros acidentes fatais, pois o piloto não consegue determinar acuradamente sua localização quando em voo.

O mesmo conceito verificado no setor de aviação, pode ser utilizado, para realizar uma analogia com o segmento de infraestrutura de telecomunicações urbana no Brasil.

Nas redes urbanas de telecomunicações estamos realizando um voo cego, dentro de uma densa camada de nuvens denominada “Cumulus Nimbus”, sem podermos observar com clareza o horizonte da tecnologia e a prática da boa engenharia.

Para comprovarmos este voo cego, basta observarmos a condição caótica das nossas redes de cabos pendurados em postes em diversas cidades, que denotam que muitos pilotos do setor estão navegando sem uma orientação adequada, conduzindo a “aeronave infraestrutura”, rumo a um possível acidente, com risco de perda total.

Há quatro anos o SEESP – Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, criou um grupo de trabalho, formado por profissionais detentores de expertise e notórios conhecimentos no setor de redes de telecomunicações, com a missão de propor medidas técnicas a serem adotadas, para a minimização dos inúmeros problemas detectados no campo.

O citado grupo de trabalho, sob minha coordenação, levantou cerca de 90 pontos ofensores, que podem comprometer o bom desempenho da infraestrutura urbana de redes no Brasil.

Dentre os pontos impactantes levantados, para que sejam sanados, muitos só dependem da gestão dos ocupantes da infraestrutura, sendo que os mais críticos, necessitam de uma atuação maior por parte dos que criam as regras, normas e resoluções a serem cumpridas.

Dos 90 pontos críticos levantados pelo grupo, cito alguns exemplos selecionados aleatoriamente, sendo que os demais possuem a mesma relevância.

– Especificações técnicas das companhias de energia defasadas, criadas numa época que tínhamos poucos ocupantes, instalando cabos nos postes brasileiros;

– Excesso de ocupantes para a utilização de somente seis pontos de fixação nos postes;

– Algumas redes implantadas a revelia sem autorização das elétricas;

– Não atendimento as normas de segurança NR10 e NR35;

– Falhas no treinamento técnico e certificação da mão de obra;

– Utilização de muitos produtos não certificados;

– Carência de empresas especializadas em fiscalização de infraestrutura;

– Presença de cabos mortos em postes (sem utilização) em quantidade assustadora, ocupando espaços de forma desordenada e a revelia;

– Desordem na fixação de caixas de emenda, reservas técnicas e entre os vãos dos postes;

Este voo cego no interior da densa camada de nuvens, tem uma ligação direta com a queda na qualidade dos serviços prestados, gerando uma poluição visual do cenário urbano e grande risco de acidentes para os técnicos das ocupantes e população, que gravitam nas proximidades dessa infraestrutura.

Para complicar ainda mais o nebuloso cenário, não existe comunicação clara entre os diversos atores, que possa facilitar o “azeitamento” de ações para a organização e ordenamento do caos das redes aéreas.

Somente com uma coordenação centralizada e autônoma, que possa se responsabilizar pela condução integrada dos projetos, é que conseguiremos pousar a “aeronave infraestrutura” no aeroporto do sucesso.

Sem esta gestão composta por um time de experts, com notórios conhecimentos da realidade e do que deve ser implementado no campo, continuaremos enxugando o denso gelo localizado nesses “Cumulus Nimbus” das redes de telecomunicações urbana.

Para finalizar este artigo:

“Não basta saber, é preciso também aplicar, não basta querer é preciso também agir” – (Goethe)

*Marcius Vitale é engenheiro, CEO da Vitale Consultoria & Inteligência de Negáocios, Coordenador do Grupo de Infraestrutura do SSESP e Presidente da Adinatel.

mar 31

Otimização de ocupação da rede subterrânea

Matéria de minha autoria, publicada na Revista RTI – março de 2020 – páginas 52, 54 e 55.

Um fato que vem sendo deixado de lado é a liberação de dutos para o compartilhamento das redes subterrâneas de telecomunicações nas grandes cidades brasileiras.

Com a modernização das redes, com milhares de cabos disputando espaços limitados nos postes, os antigos cabos metálicos de até 2400 pares, continuam ocupando preciosos espaços no subsolo congestionado.

Para a remoção desses cabos é necessário um bom planejamento de manutenção. Os trabalhos são de grande complexidade e carecem de mão de obra especializada e bem remunerada, para assegurar que os cabos subterrâneos que irão permanecer não sejam danificados.

Como os postes estão em situação caótica, remanejamentos das redes aéreas para o subterrâneo são cada vez mais necessários, o que tem gerado a confecção de projetos de enterramento de centenas de dutos em valas abertas, não recomendado tecnicamente.

A justificativa cabível para essa afirmação é de fácil compreensão. Como o subsolo urbano em muitos casos é ocupado de forma indiscriminada por diversos segmentos como água, gás, energia, esgoto, as valas para enterramento dos dutos de telecomunicações procuram os caminhos livres para serem instalados, ocupando os últimos espaços disponíveis do subterrâneo.

Desta forma, o que já está ruim acaba ficando pior com um subsolo totalmente congestionado por um emaranhado de dutos das diversas concessionárias (água, energia, gás, sinalização semafórica). As implantações de novos projetos e mesmo os serviços de manutenção são bastante prejudicados, gerando elevados gastos, para arrumação da desordem.

Uma forma de otimização dos limitados espaços do subsolo urbano é a adoção de ações proativas, com a utilização de microtecnologia e a liberação dos  dutos para uso compartilhado por diversos ocupantes.

Conforme citado, os trabalhos de retirada dos cabos inservíveis do subterrâneo e a arrumação das caixas subterrâneas são elevados, mas podem trazer para as operadoras detentoras desses insumos ganhos consideráveis com a comercialização do cobre a ser retirado, assim como com o aluguel dos dutos vagos para terceiros. 

Outro fato a ser considerados é que ruas deixam de ser abertas para o enterramento de dutos, em muitos casos, impedindo que futuras redes sejam implantadas e mantidas de forma correta.

Para que estas ações sejam implementadas é necessária uma gestão efetiva e competente. Essa seara não é para principiantes e carece que equipes com notórios conhecimentos em obras de telecom sejam contratadas.

Afim de minimizarmos os problemas detectados na infraestrutura urbana, provocados pela execução de obras com valas abertas, uma nova opção técnica está sendo introduzido no Brasil.

Trata-se da microtecnologia, composta por microdutos e microcabos, uma solução que auxilia na despoluição do subsolo urbano, liberando espaço e incrementando uma evolução tecnológica, modelo já utilizado em larga escala em países desenvolvidos.

Para que o novo sistema tenha êxito, estamos trabalhando na adequação técnica da solução, para atendimento das condições físicas do nosso subsolo urbano e do treinamento e certificação da mão de obra envolvida.

Pela tipicidade da pavimentação asfáltica utilizadas no país, muitas obras são realizadas com a adição da camada asfáltica sobre paralelepípedos, o que provoca uma abertura de valas com dimensões acima do previsto. Essa abertura da capa asfáltica gera um sobrepreço dos projetos, pois é exigido que a via seja integralmente recomposta.

Os citados microdutos são implantados em microvalas, com dimensões diminutas, cerca de 20 mm de largura por 400 mm de profundidade. A pequena abertura da vala é recomposta por asfalto frio, que não ocasiona recalque da cobertura, assegurando que a camada asfáltica fique sem depressões e/ou calosidades.  

Aqui cabe uma observação: não confundir microvala com minivala 

Minivala 

Para as minivalas, o rompimento da capa asfáltica utiliza um equipamento dotado de discos com bits de metal duro. Quando da execução da obra, a abertura muitas vezes pode sofrer uma desagregação do pavimento na superfície da minivala escavada, o que acaba gerando uma abertura maior que a prevista. 

Outro detalhe a ser considerado é que os tais “Bits de Metal Duro” não conseguem romper concreto armado, paralelepípedos e até mesmo algum outro material resistente existente no trajeto.

Microvala

As microvalas possuem características bastante diferenciadas das minivalas, quanto a sua abertura. Utilizam equipamentos dotados de discos de corte com seguimentos de diamante, que podem abrir qualquer tipo de material existente no trecho tais como: paralelepípedos, trilhos metálicos, concreto armado, outros materiais.

Quando da abertura das valas, o citado disco de diamante é refrigerado com água, minimizando a quantidade de material a ser descartado, que é eliminado junto com a água de lavagem e limpeza da obra, cerca de 8 litros de material por metro de microvala, com a total eliminação de poeira.

Assegurando uma largura de vala uniforme, com 20mm de largura, sem risco de desagregação do pavimento da parte superior da microvala, os microdutos são instalados num ambiente seguro para a integridade e proteção mecânica.

A reconstituição da capa asfáltica da microvala, garante que não haverá recalque assegurando que a via será preservada.

O resultado final da obra é promissor, uma vez que resulta em significativa economia, pela não necessidade de recomposição asfáltica da via, comparativamente com os métodos tradicionais de obras utilizando dutos e microdutos.

Quem conhece infraestrutura de redes de telecomunicações urbana sabe como proceder para que os projetos sejam coroados de sucesso. 

fev 26

Gestão da qualidade de produtos e equipamentos, uma necessidade atemporal.

COM UMA DEMANDA AVASSALADORA POR PRODUTOS E EQUIPAMENTOS, PARA ATENDIMENTO A NOVOS PROJETOS, MUITOS ISPS ESTÃO ADQUIRINDO ESTES INSUMOS SEM LEVAR EM CONSIDERAÇÃO A QUALIDADE

Com uma demanda avassaladora por produtos e equipamentos, para atendimento a novos projetos, muitos ISPs estão adquirindo estes insumos sem levar em consideração a qualidade. As aquisições são realizadas pelo menor preço, o que acaba por encurtar a vida útil das redes implantadas e queda na qualidade dos serviços prestados.

Nos tempos da antiga holding Telebrás, coordenei por muitos anos os processos de certificação de produtos, equipamentos e sistemas que eram fornecidos para as 28 empresas operadoras estaduais mais Embratel.

Mesmo com o fornecimento de produtos exclusivamente dirigido para as operadoras estaduais, o que era de alguma forma um mercado cativo para os fornecedores, tínhamos rígidos processos de controle do que era fabricado, processado, importado e entregue para as operadoras.

Controlávamos a qualidade dos produtos pelo SAUF, Sistema de Aceitação Unificado em Fábrica e mantínhamos engenheiros especializados dentro das estruturas fabris, para a execução de testes de conformidade em amostras coletadas diretamente da linha de produção.

Além do procedimento citado no item anterior, também coletávamos amostras de produtos fornecidos e estocados em almoxarifado e no campo, para uma reavaliação periódica. Este era o método utilizado, para uma garantia adicional de atendimento às normas e exigências técnicas – Práticas Telebrás.

O primeiro passo para liberarmos a comercialização dos produtos, era a execução de rigorosos testes em campo e laboratório. Se tudo estivesse OK, emitíamos o Certificado da Qualificação Técnica, denominado AQT, que era o passaporte para o fornecimento dos produtos para as empresas operadoras estaduais mais Embratel.

Para complementar o ciclo de avaliações laboratoriais, todos os produtos pós instalados, eram assistidos ao longo dos anos, por um processo que desenvolvemos denominado – Acompanhamento do Desempenho do Produtos em Campo.

Qualquer problema detectado no ciclo de vida do produto instalado, ações eram implementadas junto ao fabricante, para a eliminação das não conformidades.

Com todo o controle implantado na época, frequentemente tínhamos que tomar a decisão de interromper o fornecimento dos produtos e equipamentos, exigindo dos fornecedores a correção dos problemas detectados.

Para assegurar a longevidade do que era implantado, realizávamos também competentes cursos de treinamento da mão de obra dos profissionais das operadoras e prestadores de serviço, para garantir que os produtos qualificados fossem instalados e mantidos corretamente.

Sem gestão da qualidade do que é adquirido e implantado, apoiado por competentes ações treinamento e fiscalização dos projetos em campo, observamos que a conta não fecha, trazendo transtornos, perda de receita, desgaste na imagem da empresa e insatisfação e reclamações dos clientes.

Os antigos procedimentos não caíram em desuso, e devem ser modernizados e aplicados para quem quiser garantir a longevidade da sua infraestrutura.

É inadmissível que novas tecnologias e novos produtos sejam adquiridos e implantados não considerando os conceitos citados neste artigo.

Matéria publicada no Portal ISP da Momento Editorial em 21 de Fevereiro de 2020.

dez 13

2º Workshop da Câmara Especializada de Engenharia Elétrica – CREA SP

Workshop Infraestrutura Urbana de Telecomunicações – CREA SP – dia 12 de dezembro de 2019

Programação abaixo, no ESPAÇO TÉRREO DA Sede Angélica (Avenida Angélica, 2.364 – São Paulo/SP).

Programação 2º Workshop da CEEE-SP

9:00h
Abertura

9:30 – 11:00
Palestra Engº Bruno Kikumoto (Canal Solar) – Mercados de Energia Fotovoltaica

11:00 – 11:15
Coffe break

11:15–12:45
Palestra Engº Marcelo Villalva (UNICAMP) – Qualidade das instalações fotovoltaicas

12:45 – 13:45
Almoço

13:45 – 15:15
Palestra Engº Marcius Butti Vitale – Infraestrutura de Redes Urbanas de Telecomunicações – Ainda tem Solução?

15:15 – 15:30
Coffe break

15:30 – 16:45
Palestra GTT interpretação da NR-10 e NR-35 para o Compartilhamento de Postes
16:45h

Encerramento

Principais temas abordados pelo Engenheiro Marcius Vitale na apresentação:

– Um pouco de história – Situação da infraestrutura de telecomunicações até a privatização.
– Cenário atual observado nas redes implantadas.
– Principais trabalhos do Grupo de Infraestrutura de Telecomunicações do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo – SEESP 
– Pontos impactantes observados na planta.
– Leis, Resoluções e Decretos não observados pelos ocupantes da infraestrutura em todo o país.
– Atores envolvidos nos projetos, com sua atribuições e responsabilidades.
– Uso desordenado do subsolo urbano.
– Redes aéreas caóticas.
– Necessidade de compartilhamento da infraestrutura aérea e subterrânea.
– Segurança no trabalho (NR 03 / NR 06 / NR 10 / NR 33 e NR 35).
– Importância na adoção microtecnologia
– Obras compartilhadas utilizando microtecnologia, com foco nos nossos produtos.
– Implantação de microdutos e microcabos aéreos e subterrâneos.
– Método MND, valas abertas e galerias compartilhadas.
– Projeto Infravias para o ordenamento das redes subterrâneas.
– Redes ópticas sinérgicas – projeto pioneiro desenvolvido pela Cemig e CPQD.
– Considerações finais sobre: Respeito as leis, normas, resoluções, planejamento, projeto, implantação, materiais utilizados, desempenho de produtos em campo, treinamento da mão de obra, fiscalização, manutenção, auditorias técnicas e da prática da boa engenharia em infraestrutura de telecomunicações.

nov 04

A questão dos postes










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25/10/2019


Abaixo, a reprodução da matéria publicada pela Revista Painel da AEAAPP, edição de setembro deste 2019, traz a discussão sobre a desordem nos fios e cabos aéreos. Entre as fontes ouvidas para a reportagem, está o diretor do SEESP Carlos Kirchner e o consultor Marcius Vitale, coordenador do Grupo de Infraestrutura de Telecomunicações do SEESP. 

A questão dos postes

Novas tecnologias e serviços fizeram as cidades avançarem, mas também as tornaram mais poluídas em razão do cabeamento aéreo de internet, TV a cabo e energia elétrica; entenda como funciona e quem é responsável por isso.


Desde 2018, está em vigor a Lei Municipal 14.045/2017 que estabelece regras de gestão para o compartilhamento dos postes em Ribeirão Preto. Os postes da cidade, cerca de 80 mil, têm dono: a concessionária de energia elétrica que, na maioria das cidades paulistas, é o Grupo CPFL. Ela compartilha esse espaço, mediante aluguel, com outras empresas prestadoras de serviços – de telefonia, internet etc – que penduram seus fios e equipamentos para fazer seus sinais chegarem às casas das pessoas.

“Ocorre que, as empresas usam os espaços de maneira indiscriminada, causando transtornos à cidade, uma vez que os cabos, quando se soltam – o que não é raro – ficam no lugar por muito tempo, e ninguém se responsabiliza”, observa o engenheiro Luiz Umberto Menegucci, diretor administrativo da AEAARP.

São as agências reguladoras de telecomunicações (ANATEL) e de energia elétrica (ANEEL) que normatizam a utilização dos postes em todo o país. O engenheiro Március Vitale, do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo (SEESP), afirma que a questão é de segurança da população e de poluição visual. Ele integra um grupo que debate o tema no SEESP, propondo soluções.


Os postes são concessões públicas outorgadas à exploração por distribuidoras de energia elétrica. A atual legislação concede às empresas de telecomunicação o direito de uso compartilhado dessa infraestrutura, que é pública, porém gerida e explorada comercialmente por empresas privadas. O direito é garantido por lei, a de número nº 9.472 de 16 de julho de 1997, conhecida como Lei Geral das Telecomunicações.


A concessão do direito inclui, além dos postes, “dutos, condutos e servidões pertencentes ou controlados por prestadora de serviços de telecomunicações ou de outros serviços de interesse público, de forma não discriminatória e a preços e condições justos e razoáveis”.


Para disciplinar essa relação, a ANATEL, a ANEEL e a ANP (Agência Nacional de Petróleo) fixaram diretrizes em resoluções conjuntas editadas em 1999, 2001, 2014 e 2017. As regras valem para os 46 milhões de postes de distribuição de energia elétrica de todo o Brasil. No estado de São Paulo são 7 milhões de postes.

As resoluções disciplinam, por exemplo, quais os tipos de infraestruturas que usarão os espaços compartilhados, regras para resolução de conflitos, define valores de referência a serem cobrados no aluguel de postes e a última, de 2017, atualiza a primeira, de 1999. Segundo a ANATEL, as normatizações não regulam a quantidade de cabos ou equipamentos a serem fixados nos postes. “Cabe às distribuidoras detalhar as regras de utilização dessa  infraestrutura e realizar a boa gestão dos postes, atividade pela qual são remuneradas pelos prestadores ocupantes”, informou a assessoria de imprensa da agência.


Cabe à empresa que ocupa o poste, ainda de acordo com a agência, observar a legislação local, o plano de ocupação e a conformidade técnica com as normas de postes de cada distribuidora.


A CPFL informa que os postes têm capacidade de suportar esforços entre 200kg e 1.200kg, dependendo do modelo de construção de cada um.

A companhia substitui aqueles que apresentam defeitos ou representam riscos, conforme o plano de manutenção. Não há, porém, busca ativa de mau uso dos postes. Isto é, os cabos que por ventura não estão ligados a redes de energia ou telecomunicações são de inteira responsabilidade das empresas que os colocaram ali. Não há também da CPFL resposta clara para um questionamento: como é a fiscalização e se é aceitável que um poste tenha inúmeros fios. À essa questão, a assessoria de imprensa da companhia respondeu que a CPFL atende às normas técnicas, sem informar, porém, qual é o número da referida norma.


Solução Uma das possibilidades apontadas pelo engenheiro Luiz Umberto é a instalação de infraestrutura subterrânea, semelhante ao que já foi feito no calçadão central de Ribeirão Preto. A primeira é a normatização do uso do subsolo urbano. Március Vitale afirma que, em geral,  muitas cidades brasileiras não têm planejamento ou lei que regule o uso do subsolo. Na prática, significa que os montes de cabos aéreos seriam apenas enterrados, transferindo o problema para debaixo da terra, literalmente.


Para se ter uma ideia, no Brasil existem cerca de 10 mil provedores de internet, fora os prestadores de serviços de televisão, telefonia, etc.. O subsolo já é ocupado por redes de água, eletricidade, esgoto e gás. Em alguns lugares, conforme relato de Március, o projeto de transferir a fiação aérea para infraestrutura subterrânea é dificultado pelo fato de que cada prestadora de serviços reivindica a instalação de seu próprio duto, sem acordo de compartilhamento da infraestrutura de rede.


A tecnologia, esclarece Március, permite que os dados que passam por um grande número de cabos ópticos tradicionais, por exemplo, sejam substituídos por microcabos que podem ser instalados em um único microduto com várias vias e menos agressivo à paisagem urbana – até mesmo se permanecerem pendurados nos postes.


A questão, portanto, não é onde colocar os fios. Mas, como coloca-los, o que necessita de planejamento, boa engenharia e ocupação racional do subsolo urbano.


Há ainda outra questão: a destinação da fiação. As empresas de telecomunicações que colocam os cabos nos postes são as responsáveis pela manutenção e retirada dos mesmos.

Muitas não retiram os “cabos mortos”, no jargão do setor, por questão de logística – precisam destinar uma equipe para retirar algo que não é usado na rede. Além disso, a destinação  correta desses cabos, especialmente os óticos, é complexa.


Os postes das grandes cidades suportam hoje redes de TV a cabo, de cabos metálicos e ópticos de operadoras e provedores de internet, redes primárias e secundárias de energia, transformadores, braços de iluminação pública, amplificadores e dispositivos (armários de distribuição aéreos, caixas de emenda óptica e reservas técnicas).

Além disso tudo, segundo o engenheiro Március, os postes têm dezenas de canos galvanizados fixados em suas estruturas para subidas de lateral (tubos galvanizados que interligam as redes subterrâneas com a rede aérea por onde passam os cabos de telecomunicações).


“Antigamente os postes suportavam os cabos, hoje os cabos suportam os postes”, fala o engenheiro. “Antigamente”, ainda segundo ele, os manuais técnicos de procedimentos da holding Telebras, que controlava as 28 empresas operadoras estaduais mais a Embratel, regulamentava a utilização dos postes. Isso, antes das privatizações e da criação das agências reguladoras. A Telebras determinava para as operadoras de telecomunicações a implantação de cabos aéreos metálicos em postes com até 200 pares. “Em um ramal, quando a quantidade de pares era superior ao especificado,  a rede tinha necessariamente de ser subterrânea”, conta o engenheiro.


Os postes eram ocupados por: cabos metálicos aéreos de telefonia de até 200 pares, caixas de emendas, redes primárias e secundárias de energia, braços de iluminação pública, fios externos de telefonia e, em alguns casos, os tradicionais transformadores. Mas, era uma época sem internet, redes de dados, provedores e o grande número de serviços ofertados a pessoas físicas e jurídicas que exigiam energia, comunicação e compartilhamento de informações.


As empresas proprietárias dos postes definem em cada um deles os espaços de 500 mm, com cinco pontos de fixação, distantes 100 mm um do outro, que podem ser utilizados pelas operadoras e provedores de internet. “O que passar deste limite estará fora do padrão atualmente definido pelas concessionárias de energia”, de acordo com Március. Ele ressalta que, além de poluir visualmente as cidades, tecnicamente as manutenções das redes aéreas são custosas e a qualidade dos serviços ofertados instáveis, além de não atenderem às Normas 
Regulamentadoras NR 10 – Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade 10 e NR 35 Trabalho em Altura.


No passado, o lugar do poste onde se concentravam fios e equipamentos foi apelidado pelos técnicos de zona “T”, em razão da formação da letra quando combinados o concreto e os cabos. Március “brinca” com essa denominação: “Hoje, seria zona do terror”. Para ele, a solução é a utilização de recursos tecnológicos já disponíveis, que possibilitam a organização dos cabos no subterrâneo e nos postes, de forma segura e agradável aos olhos.  “Existem pequenos dutos, os microdutos, onde é possível lançar microcabos ópticos em cada um deles. Com projeto mais específico, é possível colocar um número maior de microcabos, usando normas sobre compartilhamento de redes que precisam ser detalhadas no projeto”, explicou o consultor. Há aí engenharia, no projeto e na definição de soluções para implantar a infraestrutura. Dois caminhos podem ser seguidos para reduzir o volume de cabos aéreos. Um deles é enterrá-los em uma vala aberta, o que também resolveria a poluição visual. Outro aglutiná-los em um microduto aéreo ou subterrâneo. “A grande vantagem da microtecnologia subterrânea é que dá para usar o espaço entre o meio fio e a capa asfáltica entre a calçada e a rua, onde é possível abrir uma microvala. Nela, que tem cerca de três centímetros de largura e 30 centímetros de profundidade, é possível instalar alguns microdutos. Depois, a microvala é tampada com asfalto frio”, detalha o engenheiro.

“Pelas pequenas dimensões da microvala”, continua, “não existe a necessidade de recompor a capa asfáltica em toda a via, o que resulta numa obra mais econômica, além de evitarmos que serviços de recomposição mal acabados sejam realizados, causando enormes problemas para a população”.

O Caso Bauru

Em Bauru (211 km de Ribeirão Preto), a Comissão de Infraestrutura Aérea Urbana (Coinfra) adotou a estratégia do diálogo. O poder público suspendeu a aplicação de multas, a concessionária de energia (também lá a CPFL), empresas de telecomunicações e internet comprometeram-se a retirar os fios “mortos”.


O cronograma definido no acordo se estenderá até 2020. Já foram retirados 1.500 quilômetros de cabos que equivalem a 34 toneladas de fios. O engenheiro Carlos Kirshner representa o Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo (SEE) na Coinfra e explica que o êxito da estratégia do diálogo não eliminou ações punitivas por parte do poder público, que são aplicadas em casos de redes clandestinas, por exemplo.

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