nov 24

O poste não é infinito – FTTH Meeting

Rodrigo Conceição Santos (INFRAROI) – 24.11.2020

Especialista defende o compartilhamento de redes como uma das soluções urgentes para a organização dos cabeamentos aéreos em cidades brasileiras.

Há normas e legislações o suficiente para a organização adequada das redes fixadas nos postes. O problema é que elas não são cumpridas. Esse é o diagnóstico resumido do consultor Marcius Vitale, que tem se empenhado em vários grupos de trabalho na busca de soluções para o ordenamento de redes aéreas. O não cumprimento das regras, ele pondera, não ocorre simplesmente por negligência das operadoras e provedores de internet (ocupantes). O contexto é amplo e a sua compreensão é inevitável um avanço que livre as nossas vistas da confusão de fios que estamos nos acostumando a ver nas cidades brasileiras.

De início, Vitale clama pelo resgate da engenharia. Segundo ele, o setor de telecomunicações abdicou das boas práticas de engenharia, desenvolvidas e aplicadas antes da privatização, e isso está explicitado na maneira com que empresas lançam cabeamentos a revelia e fazem a manutenção de forma ainda mais precária, colocando em risco a vida dos trabalhadores e de terceiros como pedestres e motoristas de veículos pesados. “Comparo com a época da Telebras, quando tínhamos normas e procedimentos de engenharia seguidos à risca. Claro que pondero a diferença, pois naquela época o cenário era bem mais tranquilo, com apenas uma rede de telecomunicações fixada nos postes”, diz.

Com a privatização e o espaço aberto a novos concorrentes no setor, o rigor nos procedimentos e fixação e manutenção de redes foi se flexibilizando. Na última década, a explosão do mercado de provedores regionais para atender à alta demanda da população por conexão de banda larga tornou o cenário caótico e agora as concessionárias de energia elétrica, prefeituras e o setor de telecomunicações estudam saídas para reverter o cenário. “A situação atual é complexa, pois temos redes de TV a cabo, redes de cabos metálicos e ópticos de operadoras e provedores de internet, redes primárias e secundárias de energia, transformadores, braços de iluminação pública, amplificadores e dispositivos como armários de distribuição aéreos, caixas de emenda óptica, reservas técnicas e dezenas de canos galvanizados para subidas de lateral (eles interligam as caixas subterrâneas com a rede aérea)”, diz Vitale.

Com todos esses agentes, há por parte da concessionária de energia elétrica a determinação de um espaço para a instalação de outras redes que não sejam as suas próprias. Geralmente, ele é estipulado em 500 mm, onde cabem seis pontos de fixação, distantes 100 mm uns dos outros. “É essa a faixa na qual as operadoras e provedores podem apoiar os seus cabeamentos”, pontua Vitale.

Em cada um desses pontos, o conjunto de cabos ali postos não pode passar do diâmetro de 65 mm, incluindo a cordoalha, que costuma ocupar 5 mm. “Grosso modo, isso significa a possibilidade de passar cerca de 60 cabos de fibra óptica na faixa pré-determinada. De modo organizado, essa infraestrutura poderia suprir a prestação de serviço dos provedores e demais ocupantes”, avalia Vitale.

Compartilhamento de redes é parte da solução
Para o especialista, parte da solução passa pelo compartilhamento de infraestruturas, mas esse é um processo que exige devida organização, com um gestor responsável e com a avaliação minuciosa de cada cenário individualmente. “Sem gestão há indigestão”, brinca o consultor. “Na verdade, não há solução pronta. Cada projeto precisa analisar as condições do entorno para minimizar perdas nas implantações de redes ópticas. Além disso, é preciso considerar as condições físicas dos postes e do subsolo, as exigências das prefeituras, as normas técnicas, normas de segurança do trabalho e outros parâmetros”, diz.

Com o apoio e expertise de alguns profissionais e conhecimento das reais situações verificadas no campo, Vitale está finalizando estudos para projetos de ordenamento das redes aéreas, utilizando alguns dispositivos de baixo custo com aproveitamento quase integral dos cabos instalados. “Este assunto será apresentado em breve ao mercado”, conclui.

Matéria publicada no Portal INFRAROI em 24/11/2020

https://infraroi.com.br/o-poste-nao-e-infinito/

https://Lnkd.in/d9ZwS_2

nov 24

Palestra com Marcius Vitale em feira virtual

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Comunicação SEESP – 21/10/2020

O consultor  Marcius Vitale, integrante do Conselho Assessor de Comunicação e Telecomunicações do SEESP, faz palestra nesta quarta-feira (21/10/2020), às 19h, sobre “Segurança no Trabalho em Infraestrutura de Telecomunicações”.

A atividade integra a programação da 5º Temporada da Semana FTTH Meeting, feira online e gratuita que ocorre desde ontem. 

Para acessar a plataforma do evento, é preciso realizar um cadastro rápido no site https://ftthmeeting.com.br .







nov 14

FTTH Meeting – Ordenamento das Redes Aéreas de Telecomunicações

Evento mostra como as redes de telecom devem ser organizadas nos postes

Da Canaris – 13.11.2020

Com inscrições gratuitas, painel do FTTH Meeting explica o cenário caótico das redes aéreas e demonstra formas de melhorá-lo com ações dos municípios, das concessionárias de energia e das próprias ISPs.

Você sabe quem organiza os cabos de telecomunicações pendurados nos postes? A resposta é: quase ninguém. Isto explica a “confusão” de cabos que costumamos ver nas grandes cidades e confirma a necessidade de que haja novas regras e ações no setor. O assunto é tema de um painel especial da 6ª edição virtual do FTTH Meeting, evento que acontece em 17 e 18 de novembro, a partir das 19h00. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas neste link.

Os engenheiros Marcius Vitale e Carlos Kirchner estão entre os especialistas brasileiros mais dedicados ao tema e demonstrarão alguns procedimentos corretos para implantação e compartilhamento de redes de telecomunicações, além de contextualizarem a necessidade dessas ações diante do cenário desorganizado das redes aéreas atuais. “A situação é complexa, pois temos redes de TV a cabo, redes de cabos metálicos e ópticos de operadoras e provedores de internet, redes primárias e secundárias de energia, transformadores, braços de iluminação pública, amplificadores e dispositivos como armários de distribuição aéreos, caixas de emenda óptica, reservas técnicas e dezenas de canos galvanizados para subidas de lateral (eles interligam as caixas subterrâneas com a rede aérea)”, diz Vitale.

Com todos esses agentes, há por parte da concessionária de energia elétrica a determinação de um espaço para a instalação de outras redes que não sejam as suas próprias. Geralmente, ele é estipulado em 500 mm, onde cabem seis pontos de fixação distantes 100 mm uns dos outros. “É essa a faixa na qual as operadoras e provedores podem apoiar os seus cabeamentos”, pontua Vitale. Em cada um desses pontos, o conjunto de cabos ali postos não pode passar do diâmetro de 65 mm, incluindo a cordoalha, que costuma ocupar 5 mm. “No mercado atual, onde temos mais de 12 mil provedores de internet ativos, operadoras de TV a cabo e operadoras de telefonia local e de longa distância, fica claro que o espaço é obviamente insuficiente para abrigar o excessivo número de cabos colocados de forma desordenada por diversos ocupantes”, completa.

Para agravar o problema, há provedores que nem sequer retiram cabeamentos inservíveis (desativados) para abrir espaço à passagem de outros novos, e esse “caos” está agora em situação limite, na qual vários agentes devem agir estrategicamente para mitigá-la.

É o que explicará o engenheiro Carlos Kirchner. Segundo ele, os municípios são essenciais nessa atuação para promover o ordenamento de cabos sem deixar de cumprir as regras estabelecidas pelas concessionárias de energia e ainda agindo na retirada dos cabos inutilizados. “Ou seja, o poder público municipal tem competência para legislar sobre o tema e mostraremos como ele pode fazer isso durante a palestra do FTTH Meeting”, destaca.

Kirchner também mostrará como a competição predatória do setor de telecomunicações deverá ser regida no futuro próximo por estudos que estão sendo conduzidos pela Aneel e Anatel. 

Serviço – 

Evento – FTTH Meeting – 6ª Edição Virtual

Painel – Ordenamento das Redes Aéreas de Telecomunicações

nov 06

Revista Abranet – Segurança no Trabalho

Uma imagem contendo Diagrama

Descrição gerada automaticamente

out 30

Webinar – Microtecnologia Dura-Line



A Dura-Line promoveu seu segundo Webinar debatendo melhores práticas, cases reais e muita experiência com a MicroTecnologia, do qual tive o prazer de participar.

Assista essa conversa entre especialistas acessando o link:  https://youtu.be/CyG_zk4wk10

O grupo de infraestrutura do SEESP sob minha coordenação, está trabalhando na reformulação dos procedimentos atualizados, para o ordenamento das redes aéreas e subterrâneas de telecomunicações.

Após detalhados estudos em campo, teremos como recomendar o que deve ser feito pelos diversos ocupantes, utilizando as modernas técnicas de compartilhamento com microtecnologia.

Participantes

Evelyn Araujo Vieira – Engenheira de Produtos – Dura-Line

Marcelo Oriani – Engenheiro Desenv. de Produtos – Dura-Line

Raphael da Costa Bucher – Marketing de Produtos – Dura-Line

Marcius Vitale – Engenheiro Especialista em Infraestrutura de Telecomunicações – Presidente da Adinatel e Coordenador Grupo Infraestrutura de Telecomunicações do SEESP

out 28

Semana FTTH Meeting – Segurança no Trabalho – Infraestrutura de Telecomunicações

Instalação e manutenção de redes de telecom é cada vez mais letal

Rodrigo Conceição Santos (InfraDigital*) – 27.10.2020  

Conhecimento e obediência às principais normas regulamentadoras para segurança do trabalho podem salvar vidas e reduzir prejuízos aos provedores de telecomunicações, mostra o consultor Marcius Vitale.

As instalações e manutenções de redes de telecomunicações são cada vez mais perigosas, custosas e letais. É o que mostra o engenheiro Marcius Vitale. Ele é consultor especializado em infraestrutura de redes de telecomunicações, preside a Associação dos Diplomados do Inatel (Adinatel) e coordena o grupo de infraestrutura de telecomunicações do Sindicato dos engenheiros do Estado de São Paulo (Seesp). O consultor coordena pesquisas e estudos sobre o ordenamento das redes aéreas e subterrâneas de telecomunicações no Brasil e um dos temas-foco de suas aplicações é a normatização para segurança do trabalho dos profissionais de campo de telecomunicações. O especialista dedicou o assunto aos provedores de serviços de internet (ISPs) durante palestra realizada na 5ª edição virtual do FTTH Meeting, na semana passada.

A incidência de quedas, asfixiamentos, choques elétricos e outros tipos de acidentes para os profissionais de redes de telecomunicações é consequência do crescimento desse mercado, mas devem ser combatidas, segundo Vitale. Ele contextualiza que a maior demanda por conectividade exigiu igualmente uma quantidade maior de redes em postes, instaladas pelos cerca de 12 mil ISPs que atuam no Brasil. “Esse cenário, de várias redes, é relativamente novo e é por ele que começamos a entender a necessidade de uma atuação mais efetiva por parte dos gestores para reduzir os riscos de acidentes”, diz, ao mostrar uma imagem com emaranhado de cabos de telecomunicações pendurados em um poste.

O especialista resgata o histórico do setor desde a criação da antiga Telebrás, em 1972, como holding estatal que controlava as empresas operadoras estaduais de telecomunicações e que foi posteriormente privatizada, em 1988. A partir da privatização, abriu-se caminho para a instalação de novas redes, mas as normatizações e a fiscalização sobre elas não avançaram na mesma velocidade, resultando no cenário desorganizado que temos hoje.

Risco de morte por choques elétricos

A faixa destinada pelas elétricas para as redes de telecomunicações (de 500 mm por poste) é insuficiente para a instalação segura de um número acima do normal de cabos e/ou emendas. Isto fez com que muitos provedores instalem suas redes fora das especificações. “Nos velhos tempos, antes da privatização, havia a rede da distribuidora de energia e apenas uma rede da empresa de telefonia que atuava no estado, agregando depois a rede de TV a cabo. Além disso, a gestão era centralizada. Estávamos em um ambiente infinitamente mais fácil de controlar”, diz.

Era permitido que apenas um cabo metálico de até 200 pares da operadora estadual de telecomunicações fosse instalado na rede aérea. Além disso, os projetos das redes de telecomunicações eram desenvolvidos pelas próprias operadoras estaduais e aprovados pelas elétricas. “A gestão e fiscalização tanto das elétricas como das operadoras de telefonia era mais atuante. Estávamos trabalhando, portanto, em um ambiente controlado e com pouca ocupação dos postes”, adianta.

A pulverização do mercado nos últimos anos resultou em cenário inverso, com redes densas e grande número de cabos ópticos e metálicos dependurados, grudados uns aos outros, ultrapassando o limite determinado pelas elétricas e chegando, muitas vezes, próximos à rede primária de distribuição de energia e transformadores. “O desrespeito ao distanciamento correto entre os cabos de energia e de telecom é um facilitador para a ocorrência de acidente com consequência danosa”, pontua Vitale.

Em 2019, quase setecentas pessoas morreram em decorrência de choque elétrico no Brasil. Entre elas estavam uma vasta gama de profissionais, curiosos, transeuntes, eletricistas e também técnicos da área de telecomunicações. Os dados são da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel) e chamam atenção pelo alto índice de letalidade: do total de 909 acidentes elétricos registrados no ano, 697 resultaram em morte (letalidade de 76,6%). “Foram vidas que perdemos para atitudes imprudentes e que, infelizmente, continuamos a ver repetidamente nas cidades”, diz Vitale.

Ele se refere a técnicos do setor de telecom que apoiam a escada nos postes e nos cabos entre os vãos dos postes, ou mesmo aqueles que trabalham sem equipamentos de proteção individual e coletivo. “A prevenção desses casos é regida pela Norma Regulamentadora 10 (NR-10), que trata de segurança em instalações e serviços em eletricidade”, diz Vitale. “E isto vale para todos que interagem direta ou indiretamente com instalações elétricas e serviços de eletricidade, seja nas fases de geração, transmissão, distribuição ou consumo, incluindo as etapas de projeto, construção, montagem, operação e manutenção das instalações elétricas”, salienta.

Em detalhes, o especialista explica aos provedores de telecomunicações o que deve ser observado, descrevendo os efeitos estimados da eletricidade no corpo humano. “Um choque de 1 mA é apenas perceptível, mas com 10 mA já agarra a mão da pessoa. A carga máxima tolerável ao ser humano é de 16 mA, sendo que um choque de 20 mA já causa parada respiratória, 100 mA incorre em ataque cardíaco e 2 Amperes em parada cardíaca”, diz.

Quedas também causam acidentes graves

Os choques elétricos não são os únicos causadores de acidentes graves aos profissionais de telecomunicações. Embora não haja números consolidados no Brasil, quedas de trabalho em altura e asfixia em trabalho no subterrâneo são outros pontos de atenção a esses trabalhadores. “A NR 35 (Trabalho em Altura) estabelece as regras de segurança para esse tipo de atividade a partir de 2 metros. E é obrigatória a observância e cumprimento das suas especificações”, diz Vitale.

Segundo ele, as quedas são frequentemente motivadas por falhas no escoramento das escadas nos postes ou vão entre postes, além de ausência de sinalização correta para o trânsito e a falta de equipamentos de proteção individual (EPI) e coletivo (EPC). “A não obediência a essa e a outras normas é passível de responsabilidades jurídicas, tanto na esfera civil como na trabalhista, na previdenciária e até na criminal”, diz ele. “Além disso, caberão sansões por parte da distribuidora de energia, pois muitas estabelecem em contrato que toda e qualquer instalação a ser executada pela ocupante dos postes deverá ser feita por técnicos devidamente treinados, qualificados e equipados, ficando a ocupante responsável por qualquer risco aos seus funcionários ou a terceiros”, completa.

Nos contratos de compartilhamento de poste também são estabelecidos pagamentos de indenizações, danos morais ou materiais no caso de negligência ou inobservância das normas vigentes para segurança e saúde do trabalho. “Portanto, não é opção e sim obrigação conhecer e seguir as normas”.

Além da NR-10, sobre serviços elétricos, e da NR-35, para trabalhos em altura, Vitale ressalta a NR-03, que rege sobre embargos ou interdição de obras. “Isso pode representar grandes prejuízos para os provedores de telecomunicações”, adianta. Ele explica que o embargo pode ser a paralisação total ou parcial e considera-se como obra todo e qualquer serviço de engenharia, seja na construção, na reforma, montagem instalação ou manutenção de estruturas. “Nesses dois últimos tipos de serviço estão claramente enquadradas as manutenções e instalações de redes de telecomunicações”, segundo Vitale.

Ratos, passarinhos e baratas

Com mais de cinco décadas de carreira, Marcius Vitale usa exemplos do passado para contextualizar os perigos das operações atuais de telecomunicações. As instalações e manutenções de redes em caixas subterrâneas estão nesse paradoxo: “Embora a maioria dos provedores ainda não esteja trabalhando em caixa subterrânea, é necessário entender a NR-33 (Espaços Confinados), pois cedo ou tarde os avanços no compartilhamento de redes e outras demandas de instalação e manutenção exigirá a atuação dessas empresas neste tipo de ambiente”, diz.

No subsolo, os profissionais estão sujeitos a gases nocivos presentes no interior da caixa subterrânea, “Costumo ver serviços de manutenção de redes nos quais os técnicos simplesmente abrem o tampão da caixa subterrânea, põe a escada e descem, sem fazer qualquer teste para identificar a presença de gás combustível e outros perigos”.

A morte por asfixiamento é uma das causas de acidentes mais comuns em ambientes subterrâneos, pois o gás lá presente é inodoro (sem cheiro), diferente de outros gases, como o de cozinha (GLP), ativado com substâncias para que sintamos o odor. “Portanto, é muito perigoso, pois não há aviso: o profissional ao adentrar no ambiente confinado, silenciosamente pode perder os sentidos com enorme possibilidade de vir a óbito”, diz Vitale.

Os gases presentes nas caixas subterrâneas são os causadores dos acidentes que ficaram conhecidos como “explosão de bueiros”, observados nas últimas décadas em cidades brasileiras. Mas eles já foram identificados há tempos, antes mesmo da criação da Telebrás, nos anos 1970. “Nessa época, utilizavam um passarinho para detectar a presença de gás nas caixas subterrâneas. Isso mesmo: com um barbante, desciam a gaiola do passarinho por alguns minutos. Se ele voltasse vivo, significava que não havia gás”, lembra o consultor.

Dado o absurdo ecológico, essa técnica evoluiu depois para a detecção de gás com ampolas, que eram dispostas no interior das caixas subterrâneas. Elas continham um líquido especial, envoltas em algodão, e eram quebradas com um alicate para que o líquido especial umidificasse o algodão que, por sua vez, reagia com a presença do gás, ficando com coloração escura. “Se fosse constatada a presença do gás, fazia-se a retirada da água da caixa subterrânea e a instalação de um exaustor para oxigenar o ambiente”, diz.

Em algumas situações, esses testes não eram necessários, pois os ratos davam o sinal verde para a operação. “Onde há rato não há gás. Diferente das baratas, bastante presentes nas caixas subterrâneas e capazes de viver em qualquer condição”, pontua Vitale.

Atualmente e impulsionados pela série de explosões de caixas subterrâneas no Rio de Janeiro recentemente, os profissionais do setor contam com um equipamento específico, chamado explosímetro. Trata-se de dispositivo dotado de um êmbolo que capta amostra do ar existente no subterrâneo e aponta ou não a presença de gás no ambiente confinado.

Na avaliação do especialista, o explosímetro ainda é a técnica mais eficiente para a detecção de gases nocivos e ele deve ser aplicado em conjunto com todas as outras diretivas relatadas neste texto e presentes em detalhes nas normas regulamentadoras igualmente citadas. “Trabalhamos para falar no futuro próximo que a educação operacional está salvando vidas sem nem mesmo sacrificarmos os passarinhos ou contarmos com a ajuda horripilante de ratos e ratazanas”, conclui.

(*) O InfraDigital é um projeto comum de conteúdo do InfraROI e o do IPNews. Para informações sobre o formato, consulte Jackeline Carvalho (jackeline@cinterativa.com.br), Nelson Valêncio (nelson@canaris-com.com.br) ou Rodrigo Santos (rodrigo@canaris-com.com.br).

set 24

Webinar RTI – Segurança no Trabalho

“Segurança e Saúde no Trabalho” em atividades de Infraestrutura de Telecomunicações  

São cada vez mais comuns as notícias de acidentes com técnicos de provedores e operadoras, principalmente nas atividades de arrumação de cabos de telecomunicações próximos à rede elétrica e trabalho em altura.

O Webinar RTI realizado no dia 31 de agosto de 2020, apresentou e discutiu as ações obrigatórias, no processo de manutenção em infraestruturas de telecomunicações em postes, no atendimento das Normas Regulamentadoras aplicáveis (NRs).

Mediação:

Engenheiro Marcius Vitale

Debatedores:

Engenheiro Agnaldo Bizzo, sócio diretor da DPST – Desenvolvimento e Planejamento em Segurança do Trabalho

Engenheiro Gianfranco Papalon, consultor, ex-Auditor Fiscal do Trabalho do Ministério da Economia

 

O resultado do webinar superou nossas expectativas de público.

Link do Webinar:https://youtu.be/EssLzLlhHIA

set 24

FTTH Meeting

O futuro da conectividade depende das redes que vamos construir agora.

Rodrigo Conceição Santos, do InfraDigital  (Especial do FTTH Meeting) – 22 de Setembro de 2020

Convergência de tecnologias, compartilhamento de infraestrutura e atualização das normas vigentes são alguns dos desafios que podem interferir na qualidade da nossa vida digital.

A criança joga online pelo tablet enquanto o marido assiste a uma série em 4K pela smart TV. A esposa está concentrada em uma feira de negócios virtual no computador portátil e a avó assiste a reprise da novela pelo aplicativo da TV tradicional. A geladeira apita, avisando que acabou o leite, enquanto as persianas elétricas pedem sinal de reconfiguração no celular por conta de uma queda súbita de energia. Esse é um, dos milhares de cenários em que o nosso cotidiano conectado exige o envio e recebimento de um volume de dados cada vez maior. Os provedores de internet têm a missão de suportar o tráfego por meio de suas redes, cada vez mais congestionadas, e a solução de passar novos cabeamentos está sendo comprometida pela falta de organização que resultam no emaranhado de fios e dutos que passam pelos postes e subterrâneo das metrópoles.

Esse é o impasse que prejudica o avanço da infraestrutura de telecomunicações, tema que está sendo amplamente discutido nesta semana durante o evento virtual FTTH Meeting, com cobertura exclusiva do InfraROI.

Para a Commscope, a convergência de tecnologias que exigem conectividade vai demandar cada vez mais largura de banda larga e a consequente instalação e aprimoramento de redes. Segundo Emerson Santos, engenheiro de aplicação da empresa, veremos aumento de soluções convergentes de iot, cloud computing, 4k, realidade virtual e outras. “E as redes precisam estar preparadas para isso”, diz. A solução, de acordo com ele, começa pela construção de infraestruturas à prova de futuro. Ou seja, as redes precisam estar preparadas para escalonamentos, conforme aumente a demanda por transmissão de dados.

“Ocorre que para construir redes à prova de futuro é preciso investir nos materiais e métodos corretos. E não é isso que temos observado. Muitos provedores regionais optam pelo menor preço e assim adquirem materiais que limitam a expansão da oferta de serviços de conectividade”, intervém Marcius Vitale, engenheiro e consultor de telecomunicações.

Para Vitale, a profissionalização do setor, assim como a capacitação da mão de obra, pode reduzir esse problema. Por outro lado, há uma questão estrutural mais grave, que é a falta de espaço físico para a passagem de novos cabeamentos.

A busca pela abertura e regulamentação desses espaços é o principal tema empenhado por Vitale atualmente. Ele participa de tratativas com prefeituras, concessionárias de energia e técnicos de várias naturezas na busca por essas soluções.

Assim como as redes de gás, saneamento básico e eletricidade, as redes de telecomunicações são de utilidade pública (utilities) e precisam de normas que assegurem a sua evolução. “Hoje, a realidade é que a organização dessas infraestruturas é um caos total, com regiões, principalmente as mais densas, com postes e subterrâneos tomados por dezenas de redes desorganizadas”, diz.

Compartilhamento de infra é a saída

Para resolver o imbróglio, ele e sua equipe desenvolveram vários estudos, entre os quais está um voltado à gestão de micro áreas, de modo que as distribuidoras de energia elétrica, por exemplo, tenham mais capacidade de organização na passagem de redes de telecomunicações pelos seus postes. “Tenho bom relacionamento com as concessionárias de energia e estamos fazendo um trabalho com a prefeitura de São Paulo abordando a interface ideal entre as redes elétricas, de saneamento, gás e telecom”, revela Vitale.

Segundo ele, é preciso validar as soluções desenvolvidas com testes de campo, algo que, além das devidas aprovações, dependem de testes massivos em campo. Por isso ele visualiza que as soluções para a organização e compartilhamento de infraestruturas de redes ocorrerão paulatinamente, sendo que algumas tecnologias, como as de microcabos e microvalas tendem a ganhar espaço.

Problema maior nas redes aéreas

Pelo maior custo inicial de implantação – há estudos que demonstram que esse custo é compensado ao longo da utilização da rede – as instalações subterrâneas ainda são minoria no universo das telecomunicações. Estima-se que mais de 90% das redes estejam em via aérea, ou seja, nos postes das concessionárias de energia elétrica. “Antes os cabos estavam pendurados nos postes. Agora os postes é que estão pendurados neles”, brinca Marco Paulo Giannetti, coordenador técnico da Fibracem.

A sátira demonstra a realidade caótica citada por Vitale e traz a explicação física de que os espaços reservados nos postes pelas normas atuais não condizem com a demanda dos provedores de telecomunicações.

Giannetti explica que as concessionárias de energia disponibilizam basicamente seis pontos de fixação para outras redes, além da sua própria, de energia. “Antigamente, tínhamos uma rede de telecom utilizando o poste. Depois vieram as redes de TV a cabo. Com a privatização das telecomunicações, surgiram as operadoras espelho e as operadoras de longa distância. Com isso, quatro posições já foram ocupadas, restando outras duas para acomodar novas redes”.

Obviamente insuficientes, esses pontos de fixação foram extrapolados, resultando na super ocupação dos postes, como estamos nos acostumando a observar nas regiões com população mais densa. Mas Giannetti pondera que, mesmo nos locais onde há pontos de fixação disponíveis, a incidência de redes instaladas fora de norma é grande. “E isso tem sido um problema cada vez maior para os provedores, pois as concessionárias estão começando a ‘meter o alicate’, literalmente”, diz.

Com destaque apara a Enel, no estado de São Paulo, ele diz ser cada vez mais comum o corte de redes implantadas incorretamente nos postes das concessionárias de energia. Contra isso, ele sugere que os provedores aprimorem conhecimentos sobre as normas vigentes, principalmente a NBR – 1514, da ABNT, criada em 2006. “Essa norma precisa de atualização, mas é a que temos para hoje”, diz.

Baseadas nela, as concessionárias de energia têm as suas próprias regras para a instalação de redes de telecom em seus postes. “No geral, as concessionárias disponibilizam um espaço de 500 mm, abaixo do mastro da luminária e que deve ser dividido entre os seis pontos de fixação citados. Ou seja, cada operadora tem o seu espaço limitado e a instalação da rede deve respeitar especificações como altura mínima de 5 metros em ruas e avenidas ou de 3 metros quando estão sobre o passeio ou ainda de 6 metros quando há tráfego de máquinas agrícolas”, detalha o especialista.

Para seguir com a instalação da rede, uma vez que haja ponto de fixação disponível, o provedor deve apresentar o projeto para validação da concessionária. “Feito isso, é preciso colocar a identificação. E há regras para essa prática também: a etiqueta deve ter dimensão de 90×40 cm, com fundo amarelo e escritos com o tipo do cabo e o nome da ocupante, entre outras especificações”, diz.

Emerson Santos, Marcius Vitale e Marco Paulo Giannetti, assim como dezenas de outros especialistas, palestraram no primeiro dia da 4ª edição do FTTH Meeting, que também acontece hoje e cujas inscrições podem ser feitas gratuitamente em www.ftthmeeting.com.br.

(*) O InfraDigital é um projeto comum de conteúdo do InfraROI e o do IPNews. Para informações sobre o formato, consulte Jackeline Carvalho (jackeline@cinterativa.com.br), Nelson Valêncio (nelson@canaris-com.com.br) ou Rodrigo Santos (rodrigo@canaris-com.com.br).

LINK de ACESSO:
https://youtu.be/Gqhq6_itmZ0

jun 04

Guerra na ocupação do subsolo urbano

Ponto ISP

O MUNDO DOS PROVEDORES DE ACESSO À INTERNET


FALTA DE PLANEJAMENTO INTEGRADO ENTRE OS ATORES ENVOLVIDOS NAS OBRAS O PROBLEMA DA INFRAESTRUTURA APRESENTA UMA GRANDE COMPLEXIDADE DE DIFÍCIL SOLUÇÃO

COLUNISTA

MARCIUS VITALE — 7 DE MAIO DE 2020


*Por Marcius Vitale

Uma Guerra está ocorrendo no subsolo urbano de muitas cidades brasileiras. Trata-se de uma disputa pela ocupação dos escassos espaços para instalação da infraestrutura de: telecomunicações, energia, gás, água, esgoto e outros setores, que deveriam demandar um conhecimento do que existe no subsolo.

Observamos com frequência cones e grades de sinalização, isolando trechos de movimentadas avenidas para a proteção de trabalhadores, veículos e população, impactando a mobilidade ao redor das obras.PUBLICIDADE   

Um número incalculável de reclamações dos moradores e transeuntes é formalizado no dia a dia e para minimizar e eliminar o citado problema de maneira contundente, alguns procedimentos técnicos devem ser adotados.

Pela inexistência de um planejamento integrado entre os atores envolvidos nas obras, durante décadas, o problema da infraestrutura apresenta uma grande complexidade de difícil solução. Os diversos ocupantes do subsolo constroem e ampliam suas redes, muitas vezes deixando os cadastros dos ativos implantados incompletos e desatualizados.

Sem diretrizes claras dos elementos que devem compor o contexto da infraestrutura subterrânea urbana, a serem inseridos nos planos diretores municipais, somados com políticas públicas bem elaboradas e uma gestão eficiente do espaço público, os projetos de ordenamento sempre deixarão a desejar.

Sem esta avaliação a ser realizada por empresas especializadas em mapeamento do subsolo, corremos o risco de provocar acidentes, como por exemplo: o rompimento de tubulações de gás, água e redes ópticas, interrompendo operações de grandes corporações, causando enormes transtornos à população e acidentes fatais com perda de vidas humanas.

Frequentemente os executores das obras não possuem conhecimento do subsolo, fato este, que impõe a necessidade de mapeamento do que está enterrado, utilizando um equipamento denominado georadar, para assegurar que o enterramento de novos dutos seja realizado com sucesso.

As empresas contratantes dos serviços deveriam assumir a responsabilidade pelo mapeamento, tornando a construção de redes um processo menos complicado do ponto de vista das garantias e seguros.

Em outros países o mapeamento é exigido para se evitar que a empresa responsável pelo projeto tenha que arcar com pesadas indenizações quando da ocorrência de acidentes.

Pelo exposto é recomendado que nenhum projeto de ocupação do subsolo urbano deva ser iniciado, sem antes realizarmos um detalhado levantamento das condições do que existe no citado ambiente.

www.marciusvitale.com.br

*Marcius Vitale:  engenheiro, consultor, CEO da Vitale Consultoria e presidente da Adinatel – Associação dos Diplomados do Inatel


   

jun 04

Visão com Ação

Ponto ISP

“TEMOS QUE GRAVITAR NESSA PROFUSÃO DE NOVAS TECNOLOGIAS, APLICATIVOS REVOLUCIONÁRIOS E COMUNICAÇÃO INSTANTÂNEA, ITENS QUE DEVEM SER OBSERVADOS E ACOMPANHADOS POR EXPERTS EM COMUNICAÇÕES DIGITAIS


COLUNISTA

Nestes novos tempos, para participar com competência no mercado é necessário que os ISPs observem com atenção ao que denomino “Miopia Digital”.

Miopia digital é uma notória evidência da falta de visão do que vem ocorrendo na conjugação do marketing 4.0 com a IoT – internet das coisas e RPD – rádio peão digital.

Rádio peão digital – RPD 

Por definição, é um mecanismo real, utilizado pelas pessoas de um grupo, conectados numa rede social, para fazer circular informações que estas mesmas pessoas consideram importantes para suas necessidades.

A RPD é onipresente no mundo das comunicações digitais, não possui estrutura formal ou permanente, não está sob controle ou direção de integrantes, move-se em todas as direções dentro da rede mundial, onde todos os internautas podem dela participar.

Por ser totalmente informal e ter abrangência mundial, ela estende seus braços para todas as comunidades, invadindo todos os espaços conectados no mundo web.

Uma característica da RPD é que ela é infalível, responde a todas as dúvidas surgidas sobre determinado assunto de interesse.

Pela rádio peão transitam informações de todo tipo e o enfoque primordial é a circulação de rumores e boatos, as chamadas fakes news (notícias falsas).

Para o momento atual, temos que nos preocupar com os conteúdos veiculados nas redes sociais. Uma nota provocativa e/ou mesmo negativa pode macular a imagem da uma organização, sendo muitas vezes de difícil recuperação.

Um ponto relevante é que o acesso à informação ficou facilitado, fazendo com que o usuário fique dependente das notícias e conteúdos gerados por terceiros, fato este, que pode ser útil ou prejudicial à sua marca.

Finalmente, a última característica da RPD diz respeito a sua indestrutibilidade, isto é, mesmo contra o desejo e a boa vontade dos internautas pertencentes à rede, a rádio peão digital é indestrutível, justamente pela forte interação entre as pessoas conectadas.

Marketing 4.0 

É uma nova tendência para divulgação da sua linha de produtos e serviços e procura atender plenamente os sentimentos humanos dos consumidores, criando laços personalizados e duradouros com seu público-alvo, daí a necessidade de um rígido acompanhamento da sua imagem via rede.

O marketing 4.0 transforma os consumidores em embaixadores da sua marca, onde suas preocupações e anseios são considerados. Pontos importantes passaram a ser observados por eles, tais como: engajamento com o meio ambiente, causas sociais, sustentabilidade e ética.

IoT – Internet das Coisas 

Tudo está sendo conectado o tempo todo através da internet das coisas. O mundo se tornou pequeno e totalmente interligado, outra evidência que deve ser acompanhada, estudada e entendida por todos os ISPs.

Conjugação da RPD & Marketing 4.0 & IoT

Temos que gravitar nessa profusão de novas tecnologias, aplicativos revolucionários e comunicação instantânea, itens que devem ser observados e acompanhados por experts em comunicações digitais.

Tenho observado que algumas empresas do segmento de telecomunicações ainda não estão atentas com as atuais técnicas da comunicação e marketing pois, continuam imersas no mofado mundo analógico de décadas passadas.

Retirar a venda dos olhos e ter “Visão com Ação”, é necessário para observar o futuro que já está presente, curando ao que denomino de “Miopia Digital”.

*Marcius Vitale:  engenheiro, consultor, CEO da Vitale Consultoria, Presidente da Adinatel – Associação dos Diplomados do Inatel www.marciusvitale.com.br



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