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VITALE – REDES DE TELECOM – A CHAMADA ZONA “T”

ARTIGOS DO LEITOR


TeleSíntese
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8 DE JULHO DE 2019

A cada lançamento de novas redes aéreas o interessado abre seu espaço e deixa os demais cabos a “Deus dará”. É preciso a união de esforços entre diferentes atores para coibir os excessos. 

Vitale – Consultoria e Inteligência de Negócios

*Por Marcius Vitale

Temos observado em todo o País uma degradação acentuada nas nossas redes aéreas, provocada pelo desordenamento e falta de critérios técnicos para a instalação correta dos cabos de telecomunicações.

Na época da antiga holding Telebrás, que controlava as 28 empresas operadoras estaduais mais a Embratel, na posteação, tínhamos a chamada Zona “T”, que era definida como o ponto de suporte dos cabos nos postes, cuja imagem era semelhante à letra “T”.

Antes do início dos serviços de implantação de um projeto de redes aéreas, elaborado pela operadora estadual, “o dono” da rede elétrica, ou seja, a concessionária de energia era consultada para verificar o esforço do cabo no poste. Caso tudo estivesse de acordo com as normas técnicas, a companhia autorizava o lançamento do mesmo na nova rede.

Frequentemente, por motivos técnicos de sobrecarga dos cabos sobre a estrutura dos postes, a exigência da troca dessa estrutura era solicitada e custeada pela operadora de telefonia.

Uma rígida fiscalização, por parte das concessionárias de energia, como das próprias operadoras de telecomunicações, era uma exigência seguida pelas empresas prestadoras de serviço, sob a pena de pagamento de multa e/ou interdição da obra, caso alguma evidência em desacordo com as Normas Técnicas fosse detectada.

Atualmente, por falta de procedimentos e um acúmulo de cabos nas redes aéreas, o atendimento às normas não é respeitado. Quem chega primeiro ocupa o espaço, muitas vezes sem seguir critérios técnicos, o que gera uma profusão de cabos na posteação.

A posteação está sobrecarregada de cabos de telecomunicações, sendo ocupada de forma desordenada, deixando o visual das nossas cidades com um aspecto deplorável, com a queda da qualidade dos serviços prestados, facilitando a ocorrência de riscos de acidente aos técnicos que trabalham nessas estruturas e à população.

Antigas Práticas Telebras

Na época da antiga estatal, tínhamos as “Práticas Telebras” que eram manuais técnicos de procedimentos que determinavam a implantação de cabos aéreos em postes com até 200 pares.

Normalmente, num ramal, quando a quantidade de pares era superior ao especificado, a rede tinha necessariamente que ser subterrânea. Naquela época, os postes eram ocupados por: cabos metálicos aéreos de telefonia de até 200 pares, caixas de emendas, redes primárias e secundárias de energia, braços de iluminação pública, fios externos de telefonia e, em alguns casos, os tradicionais transformadores.

Atualmente os postes suportam

Rede de TV a cabo, redes de cabos metálicos e ópticos de operadoras e provedores de internet, redes primárias e secundárias de energia, transformadores, braços de iluminação pública, amplificadores e dispositivos, tais como: armários de distribuição aéreos, caixas de emenda óptica, reservas técnicas e dezenas de canos galvanizados para subidas de lateral (tubos galvanizados que interligam as caixas subterrâneas com a rede aérea por onde passam os cabos de telecomunicações).

Antigamente os postes suportavam os cabos, hoje os cabos suportam os postes.

A cada lançamento de novas redes aéreas, o interessado abre o seu espaço e deixa os demais cabos a “Deus dará”. Muitos projetos são realizados sem o conhecimento e autorização das elétricas, que acabam dando no que estamos presenciando nas cidades brasileiras: o caos.

Todas as elétricas definem nos postes um espaço de 500 mm, com cinco pontos de fixação, distantes 100 mm um do outro, que podem ser utilizados pelas operadoras e ISPs. O que passar deste limite estará fora do padrão atualmente definido.

Além de poluir visualmente as cidades, tecnicamente as manutenções das redes aéreas são custosas e a qualidade dos serviços ofertados instáveis, além do não atendimento às Normas Regulamentadoras NR 10 – Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade 10 e NR 35 Trabalho em Altura.

Uma pergunta fica no ar: quem é responsável pela situação observada? Se não houver uma união de esforços entre os diversos ‘atores’ envolvidos e uma fiscalização adequada, fatalmente não teremos uma solução para coibir os excessos.

Como diz uma antiga citação: Quem faz malfeito pela primeira vez, terá que refazer o mesmo serviço. Não é difícil compreender que os gastos serão incrementados, consequentemente trazendo sérios prejuízos para quem opera os serviços e para os usuários que irão pagar a conta, se o caos não for minimizado.

Enfim, a  lendária figura da zona “T”, hoje, pode ser considerada como a Zona do Terror.

Marcius Vitale* Consultor da Associação Brasileira de Tubos Poliolefínicos e Sistemas (ABPE), Engenheiro de telecomunicações, engenheiro eletricista pelo Inatel e engenheiro de segurança pela Universidade de Brasília (UnB), coordenador do grupo de infraestrutura de telecomunicações do SEESP e presidente da ADINATEL”

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